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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ceará: “Vivia em um corpo que não era meu”, diz transexual constrangida no Enem

Aos 14 anos, a estudante Ana Luiza Cunha assumiu a transexualidade. Cearense tem apoio dos pais, quer mudar os documentos e fazer cirurgia.

Ana Luiza CunhaAna Luiza conta os dias para completar 18 anos e mudar o nome nos documentos oficiais. No RG aparece seu nome de registro, Luiz Claudio Cunha da Silva, fato que causou constrangimento durante a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Desde 2011 ela resolveu mudar o que via no espelho e assumir como se sentia. "Sempre fui mulher por dentro, só não nasci assim. Vivia em um corpo que não era meu. Não aguentava me olhar no espelho com roupas de homem. Era doloroso", diz a jovem.

Até poder ser uma adolescente como tantas outras de 17 anos, vaidosa, que adora tirar fotos, redes sociais e cuidar dos cabelos, Ana Luiza teve de passar por um processo. Aos 14 anos, a estudante resolveu contar para os pais quem era. "Cheguei para minha mãe e disse: 'eu não me vejo como homem, não quero continuar a ser homem, estou vivendo uma realidade que não é minha, me ajuda'", afirma a adolescente.

A dona de casa e mãe de Luiza, Ana Claudia Cunha da Silva, lembra que passou noites acordadas pensando em como contar o caso para o marido, Fábio Luiz Ferreira da Silva. "Para mim foi muito difícil no começo. Foi uma pancada. Até porque eu não tinha conhecimento. Ele (Fábio) encarou melhor e disse logo 'vamos ter calma'". Mesmo com desinformação sobre transexualidade, o casal afirma que deu apoio incondicional à filha desde o início.

Ana Luiza Cunha familia"Isso não tem fórmula, não tem um livro que vai dizer como criar um filho assim. Só sei que tem que ter diálogo e amor. Isso nós temos", diz o pai, que não esconde o orgulho da inteligência e da coragem da filha 'Lu', como os familiares a chamam. Além da amizade dos pais, o irmão, João Flávio, é um dos maiores confidentes. "Sempre dizia tudo para ele. Ele foi o primeiro a saber. Até já pegou briga na escola por minha causa", diz a transexual.

Mudanças
Ana Luiza morava com a família em Barreiras, na Bahia. Quando os pais voltaram para Fortaleza, em 2011, viu a oportunidade de mudar. “Antes, era uma coisa bem neutra porque tinha muito medo de preconceito, mas nunca conseguia gostar de coisa de menino. Como morava no interior, todo mundo me conhecia e tinha medo”, diz.

Na capital cearense, Ana Luiza deixou o cabelo crescer e passou a vestir roupas de mulher. O nome social havia sido decidido em Barreiras. "Minha mãe sempre dizia que, se tivesse uma filha, seria Ana Luiza. Agora, ela tem a filha que sempre quis", afirma. E as mudanças devem continuar, a jovem que usa um truque com o sutiã para dar mais volume ao colo  conta que está com consulta marcada para dar início a um tratamento hormonal.

Na escola, Ana Luiza passou a assinar as provas com o nome social em 2012. "Assinava 'Luiz Claudio' e, entre parênteses, coloca 'Ana Luiza'. Até que fui chamada na coordenação, perguntaram o que estava acontecendo. Eu tive aceitação total. Na chamada desse ano, nos documentos que vêm da escola para minha casa, todos vêm com Ana Luiza. Vendo que todo mundo me tratava assim, me sinto muito feliz e cada vez mais certa que sou mulher."

Para o pai, o ambiente escolar foi o primeiro teste do que Ana Luiza poderia enfrentar fora de casa. Como Luiz Cláudio, a relação com a escola era outra. "Não ia ao banheiro na escola, pedia para usar o banheiro dos professores", diz Luiza.

A estudante planeja cursar arquitetura e morar no Canadá. Ela também pensa em fazer cirurgias como a de mudança de sexo, mas sabe que precisa chegar aos 18 anos para fazer as intervenções. “Não sei se vou fazer pelo SUS (Sistema Único de Saúde) porque a fila é imensa. Sei que preciso de muitos laudos médicos, mas quero fazer. Vai ser quando vou ser mulher totalmente.” Os pais apoiam a decisão de Ana Luiza de fazer a cirurgia de mudança de sexo e, desde que souberam que a filha era transexual, a levaram para um acompanhamento psicológico.

Ana Luiza Cunha RGConstrangimentos
Quando realizou a prova do Enem no fim de semana, Ana Luiza foi levada a outra sala para que fiscais conferissem se a candidata era a mesma da identidade, que tem a foto dela ainda com aparência masculina. "Estou totalmente diferente da foto da identidade. Estava preparada para o que aconteceu. Mas, como na minha sala só tinha homem, fiquei com medo de fazerem chacota e piadinha. Tanto que deixei todos os documentos virados, não mostrei para ninguém, só para os fiscais. Acho normal o procedimento, não achei legal o fato de ser levada para outra sala”. A jovem não conferiu o gabarito das provas, mas disse que se saiu bem nas provas de humanas.

Luiza diz que esse episódio não foi o primeiro constrangimento como transexual. Ela conta que já foi barrada em provadores femininos quando tinha uma aparência masculina e impedida de entrar no cinema. “Quando compro meia e olham para minha carteira de estudante pensam que é de outra pessoa. Também evito ir para hospitais porque sempre chamam meu nome do registro em voz alta.”

Repercussão
Com a repercussão depois da prova do Enem, Ana Luiza diz que foi procurada nas redes sociais por pessoas com dúvidas sobre a sexualidade. "Quem vive uma situação como a minha tem de ter amor próprio e a vontade de realizar o sonho. No meu caso, eu tive apoio da família. Mas tem gente que não tem, ainda é uma realidade ser expulso de casa", diz.

Por meio de grupos na internet, ela soube de outras histórias de transexuais. "Tenho amigas que tiveram que ir ao caminho da prostituição por causa de rejeição. Porque não conseguiram emprego e apoio de ninguém”, lamenta.

Além de ajudar outras pessoas, desde a realização do Enem, a adolescente conta que o número de cantadas e pedidos de namoro aumentou. "Se me aceitarem do jeito que eu sou e eu estiver apaixonada, vou namorar. Muitos perguntam: 'Se eu gostar de você, eu sou gay?'", revela Ana Luiza. "Eu sou uma mulher. A maioria não entende. A questão do gênero é uma coisa. A questão de com quem eu quero me relacionar é outra."

fonte: G1

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Rio Grande do Sul: Professora é acusada de pregar homofobia em sala de aula

“Homossexuais tinham que procurar ajuda”, teria dito professora durante aula de sexto ano

Colegio MaristaCrianças do sexto ano do colégio Marista Ipanema, na zona sul de Porto Alegre, teriam recebido ensinamentos homofóbicos vindos de uma professora de ensino religioso há cerca de dez dias. De acordo com a mãe de uma menina que estuda na turma, a professora declarou que “os filhos de homossexuais eram crianças infelizes”, “que a homossexualidade era uma doença que tinha que ser tratada”, e que “homossexuais tinham que procurar ajuda”.

Uma aluna postou em seu perfil no Facebook relatos do caso, explicando que a professora teria dito que “ser gay é um problema”. A menina então teria discutido, alegando que “Deus ama a todos”, o que levou à resposta de que “Deus criou o homem para a mulher” por parte da professora. Desde então, dois estudantes encaminharam uma reclamação para a diretoria da escola. A mãe de uma das alunas também entrou em contato com o colégio Marista Ipanema e exigiu a realização de uma reunião, que acontecerá na manhã desta quarta-feira (14), com a presença da professora e da diretoria.

Para a mãe de uma aluna de dez anos que assistiu à aula, as colocações da professora vão na contramão dos preceitos defendidos pelas escolas maristas. “Se você pegar o encarte da rede Marista, ali fala em ‘diminuir desigualdades’ e ‘compartilhar valores’. Ou seja, (a colocação da professora) vai completamente contra o que a escola diz”, explica. “Eles (a escola) me disseram: ‘foi apenas uma professora, foi um fato isolado’. Mas ela tem que saber quais os preceitos da rede Marista. Ela não pode ir para dentro de uma sala de aula e dizer uma besteira dessas”, completou.

Thales Vinícius Bouchaton, advogado, integrante da ATEA (Associação de Ateus e Agnósticos) e membro do Comitê de Liberdade Religiosa do governo estadual, explicou que foi informado do caso pelas postagens nas redes sociais. Para ele, a professora estava “destilando preconceitos” com suas declarações. “Por mais que o colégio seja católico, é crime incentivar esse tipo de coisa”, disse.

De acordo com a mãe que marcou a reunião com a escola, esse tipo de colocação é perigosa porque pode influenciar no pensamento das crianças do sexto ano, que têm entre dez e onze anos. Apesar de entender o caráter católico da instituição, ela defende que não é o papel da escola “evangelizar” os alunos, nem pregar a intolerância. “Eu não vou compactuar com esse tipo de preconceito horrível. A aula de religião é para ensinar sobre todas as religiões, não para catequizar”, afirmou.

A reportagem entrou em contato com o colégio Marista Ipanema, que, através de sua assessoria de imprensa, informou que não se manifestaria sobre este caso específico, mas que a instituição “está sempre aberta a receber as famílias”. Além disso, confirmou que haverá uma reunião para tratar do caso nesta quarta-feira (14).

fonte: Sul21

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

São Paulo: Professora chama aluno de ‘Félix da novela’, e mãe faz BO em Piracicaba

Personagem vivido por Mateus Solano em 'Amor à Vida' é homossexual. Diretoria de Ensino disse que fará encontro de conciliação entre envolvidos.

estudante PiracicabaA mãe de um aluno de 11 anos de uma escola estadual em Piracicaba (SP) fez boletim de ocorrência contra a professora que chamou o garoto de 'Félix', personagem de sucesso da atual novela das 21h da Rede Globo "Amor à Vida". A docente, que ensina geografia, disse em sala de aula que o menino se parecia com o administrador gay de um hospital, interpretado pelo ator Mateus Solano na trama. O boletim de ocorrência foi registrado como injúria.

O caso ocorreu na tarde desta quarta-feira (7), na Escola Estadual Professora Juracy Neves de Mello Ferracciú, no bairro Noiva da Colina.

Mateus Solano 07Bullying?
Segundo a mãe, o garoto retornou das férias com óculos depois de ir ao médico. Foi então que a professora, ao notar a diferença no visual, disse em sala de aula que o garoto se parecia com alguém, mas que ela não podia dizer o nome, ainda de acordo com relatos da mãe, uma despachante de 36 anos. "Foi quando um dos colegas de classe disse que sabia quem era e disse o nome do personagem", afirmou.

Os alunos começaram a rir e a professora confirmou a semelhança. "Ela falou que era verdade, que ele se parecia com o Félix da novela", afirmou a mãe. O garoto começou a chorar e a professora pediu desculpas a ele, dizendo que foi apenas uma brincadeira.

A mãe do estudante chegou em casa, encontrou o filho chorando e foi à escola questionar a coordenação, que disse a ela que tudo não passava de brincadeira e que a professora era muito competente. "Eu não julgo a qualidade dela em ensinar, mas não é função dela dizer com quem meu filho parece ou não", disse a mãe.

estudante Piracicaba 02Ainda de acordo com a mãe, não haveria problema e preconceito caso o filho dissesse que é homossexual. "Ele é apenas uma criança, mas continuaria o amando da mesma forma se ele fosse gay", disse a despachante que afirmou na sequência que "o garoto já tem até namoradinhas".

O dia seguinte
Mesmo incomodado com a situação, o estudante foi à escola na tarde desta quinta (8). A mãe do estudante disse que iria à Diretoria de Ensino de Piracicaba para contar o que aconteceu e, na segunda-feira (12), terá uma reunião com a diretoria da escola. "Isso não pode ficar assim, temos que denunciar casos como esse", afirmou.

Resposta do Estado
A Diretoria Regional de Ensino de Piracicaba, por meio da assessoria de imprensa, informou que lamenta o mal entendido registrado na unidade e afirmou ainda que foram tomadas as providências para que o caso seja esclarecido.

Escola Estadual Professora Juracy Neves de Mello FerracciúA administração regional, informou também, que se reuniu nesta quinta com a mãe do estudante e agendou para a próxima segunda-feira (12) um encontro de conciliação entre aluno, a responsável, a professora e a direção da escola. "Os colegas de sala também participarão de uma atividade que tem como objetivo esclarecer o mal entendido e reforçar a importância do respeito mútuo", finalizou a nota.

fonte: G1

sábado, 3 de agosto de 2013

Professores gays têm medo de repreender homofobia na escola, diz estudo

professor sala de aulaUm estudo da Universidade de Millersville, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, afirma que professores gays repreendem menos os alunos que cometem homofobia na escola. De acordo com o levantamento, eles temem que a repressão chame a atenção para a sua homossexualidade e prejudique a sua carreira. As informações são da revista TES. 

A pesquisa ouviu mais de 350 professores e diretores, e perguntou como eles lidavam com incidentes envolvendo homofobia na escola.

Dois terços responderam que raramente ou nunca veem outro professor intervir quando presencia algum comentário homofóbico. E 59% disseram que já ouviram comentários homofóbicos feitos por outros professores. 

Docentes gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros também têm medo de intervir quando os estudantes usam palavras homofóbicas, inclusive quando praticam bullying chamando outra criança de "gay".

"Eles temem pelo trabalho ou pela repercussão de serem vistos como gays", afirmou Tiffany Wright, que participou da pesquisa, à revista TES.

Segundo a pesquisadora, mais de um terço dos professores entrevistados temem que seus empregos fiquem em risco, caso a sua sexualidade seja descoberta.

"Nós crescemos em uma época em que 'gay' é comparado a algo negativo", disse Wright à revista TES. De acordo com a pesquisadora, isso é tão "entranhado nas pessoas", que ela já ouviu um colega professor dizer "isso é tão gay" ao invés de usar "isso é tão estúpido".

fonte: UOL

terça-feira, 30 de julho de 2013

Estados Unidos: Estudante gay de 16 anos que sofria bullying se suicida

Alexander AJ BettsMais um triste caso de vítima de bullying aconteceu nos Estados Unidos. Desta vez, em uma comunidade no estado de Iowa. Aluno da escola "Southeast Polk High School",  Alexander AJ Betts se suicidou aos 16 anos. Por ser gay e pardo, o estudante era motivo constante de zoação entre os colegas de classe.

Segundo Sheryl Moore, mãe de Alexander, ao longo da vida o filho passou por diversas cirurgias devido ter nascido com lábio leporino. A última operação aconteceu no ano passado e ele estava feliz com sua nova aparência.

Ainda segundo a mãe, Alexander contou à família que era gay há cerca de um ano e meio. Para ela, a morte do filho é "a coisa mais dolorosa que ela já experimentou em toda a vida". Por isso, ela veio a público falar sobre a fatalidade e ressaltar que não é a primeira vez que casos assim acontecem na mesma escola.

A Southeast Polk High School possui um histórico de tragédias semelhantes. Em 2008, quatro adolescentes se mataram. Em dezembro do ano seguinte um jovem de 17 anos tomou a mesma atitude. A sequência de casos fez com que Câmara Municipal, à época, convocasse uma força tarefa para estudar o que foi chamada de "cultura de suicídio".

O diretor da escola, Steve Pettit, apesar do ocorrido, disse que não foi informado que Alexander era vítima de bullying. Segundo o diretor, quando isso acontece o assunto é tratado de maneira "bastante séria" entre a cúpula escolar, iniciando assim uma investigação para identificar os agressores.

fonte: A Capa

terça-feira, 9 de julho de 2013

Bailarino é despedido de companhia por fazer pornô gay

Jovem deu tempo na dança e se dedica, agora, ao pornô gay

Jeppe HansenÉ difícil sobreviver às intrigas no mundo do balé, ainda mais se você enveredar pela indústria de filmes adultos. O bailarino dinamarquês Jeppe Hansen fazia parte da prestigiada Royal Winnipeg Ballet School, no Canadá, quando a direção da companhia descobriu que ele fez um pornô gay.

Hansen usou o nome de Jett Black no começo do nao e fez um filme para a produtora Cocky Boys. Segundo o rapaz, os administradores da companhia pediram para ele escrever uma carta se retirando voluntariamente do programa de bolsa de estudos.

“Você não pode estar em uma empresa ou em uma escola porque você decidiu tomar um ponto de vista diferente artisticamente – não porque fisicamente você não poderia fazer ou porque você não é bom o suficiente”, reclamou à “CBC News”.

Hansen deixou o Canadá em março e se mudou para Nova York e está se dedicando aos filmes pornôs. Mas ele pretende voltar um dia para a dança. “Estou dando um tempo e vou dar essa pausa até encontrar um lugar onde eu possa me encaixar como bailarino”.

fonte: ParouTudo

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Estados Unidos: Estudante transgênero vai à justiça pelo direito de usar banheiro feminino

Caso contra escola primária foi parar no mais alto tribunal de Maine, EUA. Nicole nasceu menino, tem irmão gêmeo, mas se identifica como menina.

Nicole Maines e o irmão gêmeo JonasO caso envolvendo um estudante transgênero e uma escola primária foi parar no mais alto tribunal do estado de Maine, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (12). Os advogados de Nicole Maines, de 15 anos, que nasceu menino, batizado com o nome de Wyatt, mas se reconhece como menina, entraram em ação contra a escola que proibiu a aluna de frequentar o banheiro feminino quando ela era criança.

Nicole tem um irmão gêmeo idêntico, Jonas, mas desde pequena se identificava como uma menina. Quando criança, enquanto o irmão colecionava carrinhos e se fantasiava de super-heroi, Nicole preferia se vestir de princesa e brincar de bonecas. Aos quatro anos, perguntou à mãe quando iria se tornar uma menina. Aos 11 anos, Nicole passou por um tratamento médico que inibe a ação dos hormônios da puberdade.

Na escola primária os problemas começaram. Nicole começou a usar o banheiro das meninas. Os funcionários da escola, inicialmente, deixaram. Mas depois que o avô de um menino da quinta série reclamou, Nicole foi proibida. A direção da escola então mandou Nicole usar um banheiro separado.

O caso foi parar na justiça. Na primeira instância, o juiz determinou que o colégio agiu dentro da lei determinando que Nicole usasse um banheiro pessoal. A família recorreu para a instância superior. O caso voltou à corte na cidade de Bangor, no Maine, e a família de Nicole (pai, mãe e irmão) passou a atuar como ativistas pelo direito dos transgêneros.

A questão é saber se a escola violou a Lei de Maine dos Direitos Humanos, que proíbe a discriminação com base no sexo ou orientação sexual. Mas a lei estadual também exige banheiros separados para meninos e meninas nas escolas. A advogada da escola alegou que enquanto a lei sobre os banheiros separados não mudar, é direito da escola não violá-la.

Nicole MainesApós a audiência, Nicole, que agora está no segundo ano do ensino médio de uma escola no sul do Maine, disse que não desejaria a sua experiência de ninguém. "Espero que os juízes tenham entendido que tudo o que um estudante quer é ir para a escola se divertir e fazer amigos, e não sofrer bullying dos alunos ou da administração do colégio", disse à agência de notícias Associated Press.

A presença de crianças transgêneras é um tema que os administradores escolares estão enfrentando em todo o país. Políticas sobre transexuais adultos ainda estão evoluindo, e as escolas ainda não sabem como lidar com crianças que se identificam com o sexo oposto do que nascem.

No ano passado, a Associação Norte-Americana de Psiquiatria removeu o "transtorno de identidade de gênero" de sua lista de doenças mentais. E a Academia Americana de Pediatria solicitou que as escolas permitam que as crianças transsexuais de usar o banheiro de sua escolha.

O pai de Nicole, Wayne Maines, espera um desfecho favorável do caso. "Tem sido difícil, mas estou muito feliz por estar aqui neste júri e esperançoso por um bom resultado."

fonte: G1

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Estados Unidos: Cresce o número de crianças transgêneros e escolas tentam se adaptar

Desde a pré-escola, escolas tentam se adaptar para incluir todos os alunos. Em 2012, mudar de identidade de gênero deixou de ser 'doença' no país.

RyanPara incluir e tratar igualmente todos os alunos e alunas, inclusive os que se identificam com gêneros diferentes aos seus biológicos, escolas dos Estados Unidos estão aprendendo empiricamente a se adaptar a uma realidade longe do branco e preto que definem que roupas, brinquedos e atitudes são de meninos ou de meninas. O assunto foi tema de longa reportagem da agência de notícias Associated Press. O G1 publica abaixo um resumo com os principais trechos da reportagem da AP:

A presença de crianças e adolescentes que adotam outra identidade de gênero é pequena nas escolas, mas tem crescido. No distrito escolar da cidade de São Francisco, por exemplo, o gerente de programas de saúde escolar Kevin Gogin afirmou à reportagem que, de acordo com uma pesquisa com os estudantes, 1,6% dos alunos de ensino médio e 1% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental se identificavam como transgênero ou variante de gênero.

As crianças dos anos iniciais não foram incluídas na pesquisa, mas Gogin disse à AP que o distrito já havia identificado alunos e alunas nesta situação nestes anos.

Com Ryan, que hoje cursa o quarto ano do fundamental em um subúrbio da cidade americana de Chicago, a adoção de outro gênero aconteceu ainda mais cedo. Desde os dois anos de idade, ela mostrava atração pela cor rosa e usava as calças do pijama para improsivar uma peruca de cabelos compridos. Na época, ela foi diagnosticada com disordem de identidade de gênero, e os pais começaram a incentivar atividades e objetos típicos de meninos. Quando a estratégia não deu certo, passaram a proibir qualquer menção ou brincadeira tipicamente feminina. Ao perceberem que o efeito da repressão não seria benéfico, decidiram aceitar as escolas da filha.

Desde 2012, a "disordem de identidade de gênero" foi removida da lista de doenças de saúde mental, e outros pais de crianças que não se encaixam no padrão polarizado de meninos e meninas recebem o apoio de médicos e especialistas que não enxergam mais esse fenômeno como algo a ser consertado.

Para alguns deles, a evolução da percepção sobre pessoas transgênero (em suas várias formas, desde que quem se identifica com o gênero oposto até quem se considera parte homem e parte mulher) vai evoluir da mesma forma como a visão a respeito da homossexualidade, que há cerca de 40 anos deixou de ser considerada uma doença mental.

Contra o bullying na escola e na família
Ainda no jardim de infância, ela decidiu, com o apoio dos pais, abandonar a rotina de vestir roupas de menino na escola e trocá-las, assim que chegava em casa, por saias e uma blusa combinando. No primeiro dia da mudança, a mãe dela, Sabrina, foi à sala de aula explicar aos coleguinhas que Ryan gostava de se vestir como menina e fazer coisas de menina.

Algumas crianças contaram suas próprias histórias que quando vestiram roupas indicadas a outros gêneros por motivos variados, e o grupo superou a notícia. As crianças do ensino fundamental, porém, começaram a perseguir Ryan na hora do recreio. Para evitar aborrecimentos, a diretoria da escola garantiu a aplicação da política de intolerância ao bullying.

O processo, porém, não foi totalmente fácil, segundo contou a mãe da criança, Sabrina, à reportagem da AP. Antes da escola, Ryan começou a vestir roupas convencionalmente atribuídas a meninas em parques, no bairro e com a família.

Algumas pessoas não aceitaram a mudança, criticaram o apoio dos pais por acharem Ryan nova demais para saber o que queria, ou simplesmente pararam de reconhecer a criança. "Era como se ela não existisse mais", disse a mãe. A posição dela e do pai foi, além de mudar de bairro e buscar uma escola que parecesse mais aberta, enfrentar o problema de frente e com uma posição clara: eles reuniram os parentes e lhes informaram que estariam do lado da criança.

"Nosso compromisso é que nossos filhos estejam em um ambiente acolhedor e amoroso, e se alguém não concorda com isso, então não vai estar por perto", explicou o pai de Ryan, Chris.

criança trans Estados UnidosA tolerância na prática
"Por uma margem grande, a maioria dos educadores quer fazer a coisa certa e quer saber como tratar todas as suas crianças igualmente", afirmou à reportagem da AP Michael Silverman, diretor-executivo do Fundo de Defesa Legal e Educação Transgênero da cidade de Nova York. Segundo ele, atualmente 16 estados americanos e o Distrito de Columbia (capital dos EUA) já contam com leis que garantem os direitos de pessoas transgêneros. Mas, mesmo nos estados que não contam com essa legislação, os distritos escolares estão geralmente abertos à orientação para a diversidade.

O problema, porém, é que as práticas de aceitação e tolerância à diversidade ainda não são muito difundidas. Entre as perguntas mais comuns estão a definição de qual banheiro a criança vai usar, onde ela vai se trocar para a aula de educação física e que pronome os professores e colegas devem usar para chamar a criança transgênero.

Dados recentes mostram que a falta de informação e socialização entre os estudantes transgêneros podem ter resultados alarmantes.

Um pesquisa nacional feita em 2010, feita em conjunto entre o Centro Nacional pela Igualdade Transgênero e pela Força Tarefa Gay e Lésbica Nacional, mostrou que 41% das pessoas transgêneros entrevistadas no país admitiram que já tentaram cometer suicídio. Mais da metade (51%) delas afirmou que sofreu bullying, assédio, agressão ou expulsão da escola por serem transgêneros.

Scott Morrison, que mora no estado de Oregon há três anos, e há dois fez a transição de menina para menino, afirma que o apoio da família, dos amigos e de sua nova escola, inclusive da ajuda de um conselheiro escolas, fez toda a diferença no processo, inclusive evitando que ele considerasse tirar a própria vida.

"A identidade de gênero é provavelmente a parte mais importante de mim, é a descoberta mais importante que fiz sobre mim mesmo", disse o formando do ensino médio à AP.

Para Eli Erlick, uma aluna transgênero que vai terminar o ensino médio neste ano em Willits, uma pequena cidade no norte da Califórnia, a transição de menino para menina começou aos 8 anos. Na época, há cerca de dez anos, a sensação que ela descreveu à agência era de ser "a única pessoa desse jeito". Além de ser ridicularizada em público pelos próprios professores, a aluna não tinha permissão para usar o banheiro das meninas. Para contornar o problema, ela fingia alguma doença para poder ser liberada e usar o banheiro de casa.

Em geral, porém, ela afirma ter notado uma mudança geral nas atitudes em relação às diferenças entre identidades de gênero. Hoje, Eli coordena uma organização que treina e orienta escolas a lidar com pessoas como ela, além de ter ajudado seu próprio distrito escolar, além de outros na Califórnia, a definir políticas sobre o tema.

A inclusão escolar na Justiça
Ainda que haja mais conscientização, nem todas as relações entre alunos transgêneros e suas escolas são pacíficas, e algumas já foram parar na Justiça. Michael Silverman, de Nova York, representa a família de Coy Mathis, uma garota transgênero de seis anos do estado de Colorado.

O motivo do processo foi o fato de a escola ter definido que a criança seria obrigada a usar um banheiro separado das demais meninas.

"Se fosse só um banheiro, então a opção neutra estaria bem. Mas é sobre realmente ser aceita", disse a mãe de Coy, Kathryn Mathis. "O que acontece agora é que eles te chamam de garota, mas você não é realmente uma garota, então não te deixam agir como uma. E isso faz um estrago incrível."

A reportagem da Associated Press procurou a escola de Coy, mas ela não se pronunciou.

Os precedentes abertos nos últimos anos e a evolução da posição de especialistas sobre a condição de pessoas transgêneros têm feito com que as crianças e adolescentes que se identificam com um gênero diferente do biológico possam viver mais abertamente e com maior apoio.

"Essas crianças estão começando a ter uma voz, e acho que isso é o que tem feito as coisas interessantes e desafiadoras --e difíceis, às vezes--, dependendo da família, da criança ou da escola", afirmou à AP Roberto Garofalo, diretor do Centro de Gênero, Sexualidade e Prevenção de HIV do Hospital Infantil Lurie, de Chicago.

No caso de Ryan, sua integração escolar tem tido, até agora, poucas consequências negativas. Uma de suas colegas do quarto ano do fundamental resumiu tudo com uma frase: "A maioria das pessoas esqueceu que um dia ela já foi um menino", disse a garota.

fonte: G1

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Mato Grosso do Sul: Universidade avalia postagem de professor contra “bichonas” e ele pode ser demitido

Kleber KruegerUm professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) causou polêmica ao publicar, em seu perfil do Facebook, uma mensagem em que chama os homossexuais de “viados” e defende o fechamento de “cursos de gente colorida” e “formadores de bichonas”.

O texto, publicado na última sexta-feira (24), já foi retirado da página. Nele, Kleber Kruger, 24, professor substituto do curso de ciência da computação e sistemas de informação, critica pichações feitas em paredes da universidade, que fica em Campo Grande.

“Hoje cheguei na Federal e encontrei algumas paredes dos cursos de computação e engenharia pichadas com frases como: ‘O amor homo é lindo’, ‘Homosexualismo é lindo!’, ‘Fora machismo’… aaah, se fu***, seus viados fila da p***!!!”, diz o texto publicado pelo professor.

Kleber Kruger facebook

Na mensagem, Kleber diz que “tá na moda defender homossexualismo” e que a onda de raiva aos homossexuais é provocada por eles mesmos. Em um comentário na própria postagem, o professor considera que a pichação das paredes da universidade foi uma “provocação”. “Depois eles tomam uma surra, morre um viado lá no Campus, sai no jornal e pronto!”, finaliza.

O jornalista Guilherme Cavalcante, 27, que é aluno de mestrado na UFMS, afirma que ficou surpreso ao ler o texto e considera que a mensagem publicada por Kleber revela despreparo do professor. “Espero que ele reflita sobre o que falou, que entenda que o mundo é diverso e que o professor também tem uma função social”.

Demissão
Na internet, uma petição virtual recolhe assinaturas para pressionar a UFMS a demitir o professor, que tem um contrato temporário com a instituição. O documento, direcionado à reitora Célia Maria Silva Correa Oliveira, alega que “nenhum estudante gay deve continuar a ser submetido ao constrangimento de ter aulas e de ser avaliado por pessoa homofóbica”.

A petição pede o afastamento do profissional e substituição “por um professor mentalmente equilibrado”. O documento virtual foi criado no domingo (26) e já foi assinado por 318 pessoas.

A assessoria de comunicação da UFMS informou que o conteúdo da mensagem publicada pelo professor será analisado pela administração superior, que vai decidir se abre um procedimento administrativo ou encaminha o caso para a comissão de ética da universidade.

As penalidades vão desde uma advertência até o rompimento do contrato e afastamento do professor. Não há prazo definido para a conclusão dessa análise.

Arrependimento
O professor disse que está arrependido e que lamenta o que considera ter sido um “mal entendido”. “Foi um momento em que não pensei para falar. Estou envergonhado e muito arrependido”.

Kleber explicou que a mensagem foi um desabafo pessoal contra as pessoas que picharam as paredes da universidade e comparou os xingamentos às reações de torcedores que agridem verbalmente os adversários. “É como se eu, que sou são paulino, xingasse um corintiano depois de perder um jogo”.

Kleber também fez questão de deixar claro que não fez o comentário como professor da UFMS e garantiu não ter preconceito contra homossexuais. “Sei de pessoas que sofrem muito com isso, que têm pais que não aceitam”.

Surpreso com a repercussão causada pelo texto, o professor disse que, se tivesse oportunidade, pediria desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas.

fonte: Lado B

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Singapura: Menino de 12 anos faz vídeo pedindo fim ao bullying homofóbico contra ele

Theo Chen, um garoto de 12 anos que mora em Singapura, na Ásia, fez um vídeo falando sobre o bullying que sofre dentro e fora da escola e pedindo, por favor, que o aceitem como ele é, afinal, ele nem sabe se é gay ainda. Ele tem outros vídeos publicados em seu canal no YouTube, e por dançar em alguns vídeos, tem sido chamado de gay e bicha pelos amigos da escola e pelas amigas da irmã. Além disso, vários comentários anônimos em seus vídeos também são carregados de homofobia e bullying. Todo esse contexto o motivou a criar esse apelo.

Teria tudo para ser mais um vídeo de alguém pedindo respeito, exceto se esse alguém não tivesse apenas 12 anos! O que ele não esperava, é que o vídeo fosse viralizar e ter mais de 200 mil visualizações! Hoje (24), é um dos vídeos mais compartilhados nas redes sociais.

Na descrição do vídeo, ele escreveu: “Eu não fiz isto por fama, eu fiz para dar minha opinião, e honestamente eu não esperava mais de 100 visualizações disso, eu não sabia que explodiria, e não fiz para ser cumprimentado por isso. Eu não estou vivendo no meu próprio mundo, eu só quero por um fim nisso.”

fonte: GOnline

Ceará: Professor critica decisão sobre casamento gay em site da UFC

Instituição informa, em nota, que texto não reflete opinião da faculdade, mas não retira artigo do ar. No artigo, Glauco Magalhães Filho afirma que omissão do Congresso sobre tema é manifestação da vontade popular, "que não deseja mudar o conceito de família"

Texto foi publicado na página da Faculdade de Direito UFCA resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga cartórios brasileiros a celebrarem casamentos gays representa uma ameaça mais ostensiva à democracia do que certos atos camuflados do governo militar. A opinião é de um professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), a mais tradicional do estado, e pode ser lida em um artigo publicado no site da instituição universitária. O teor do texto provocou protestos na internet e fez com que a universidade emitisse nota sobre o episódio.

No artigo intitulado “Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ‘Casamento’ homossexual e o fim da democracia”, o professor de Hermenêutica Jurídica Glauco Barreira Magalhães Filho incita a população, as igrejas e os cartórios a protestarem e resistirem à decisão do CNJ, baseada em julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional a distinção de tratamento legal entre uniões estáveis homoafetivas.

“O STF (Joaquim Barbosa em particular) ganhou a fama de ‘justiceiro’ ao condenar os implicados no mensalão, o que todos aplaudimos. No entanto, a continuidade disso é um golpe de Estado em andamento, pois o CNJ (presidido por Joaquim Barbosa), contrariamente à Constituição, determinou que os cartórios celebrassem casamento homossexual. Como, entretanto, um órgão de fiscalização pode legislar? Onde estão as noções de vontade geral, soberania parlamentar e legitimidade democrática?”, afirma o professor em um trecho do texto.

Em outro trecho, o professor critica o STF e o CNJ pelo argumento de "legislar" por causa da omissão do Congresso Nacional. Segundo ele, a omissão do Congresso é uma manifestação de vontade, "no caso, da vontade de manter a legislação vigente, que não contempla o casamento homossexual. A omissão do Congresso é o reflexo da vontade popular, que não deseja mudar o conceito de família".

Nas linhas finais, o professor também menciona o fato de a decisão ter sido tomada em maio, mês das mães. “Talvez, o próximo passo seja acabar com o dia das mães, pois esse conceito (mãe) logo estará ultrapassado. Essa ‘coincidência’ é para que cada um caia em si e veja que a família (maternidade, paternidade, etc) está sendo destruída.”

UFC e Faculdade de Direito se pronunciam
Em resposta, a Universidade Federal do Ceará publicou uma nota em seu site, na qual afirma que o artigo não interpreta o pensamento da instituição, “arcando os autores dos textos opinativos com a responsabilidade por aquilo que publicam sob sua assinatura”. O texto informa também que as páginas dos centros, faculdades e departamentos da UFC são livremente administradas pelas próprias unidades. “Cabe igualmente destacar que a política editorial desta universidade privilegia o respeito à diversidade de orientação sexual, étnica, cultural, ideológica e religiosa, além de reconhecer demais princípios constitucionais de nosso país”, pontua a nota.

O diretor da Faculdade de Direito, Cândido de Albuquerque, também emitiu uma nota em que informa não admitir “qualquer forma de intolerância religiosa, racial ou sexual”, mas esclarece que “não exercerá qualquer tipo de censura, pelo que será assegurado à sua comunidade acadêmica a livre manifestação de pensamento, vedado o anonimato, ainda que a opinião expressada não reflita o sentimento dele ou a posição institucional da faculdade”.

Petição pública
Em resposta ao artigo, o coletivo Conteste! criou uma petição pública em repúdio ao texto. Até o começo da tarde desta sexta-feira (24), mais de 200 pessoas haviam assinado o documento. “Defendemos uma Faculdade Laica. Uma educação jurídica crítica, que não reproduza em sala de aula as opressões – racismo, machismo e homofobia – que se perpetuam no sistema capitalista. Defendemos uma educação superior que tenha por finalidade estimular o pensamento reflexivo (LDB, art. 43, I) e exercitar o respeito, a tolerância, a promoção e a valorização das diversidades de orientação sexual (PNEDH, a)”, diz o texto de apresentação da petição.

fonte: G1

terça-feira, 21 de maio de 2013

Estados Unidos: Aluna de 18 é presa e expulsa da escola por namorar menina de 15

Kaitlyn HuntO mesmo amor que uniu a estudante Kaitlyn Hunt, 18, com uma colega da escola de 15 anos foi o mesmo que destruiu a vida da mais velha. Kaitlyn foi presa e expulsa da escola por causa da lei que proíbe menores de 16 de namorarem.

Nada teria acontecido se os pais da estudante de 15 não denunciassem Kaitlyn à polícia, no estado da Flórida, EUA. Ao revelar o namoro, a jovem foi denunciada e acusada de abuso sexual.

Logo a história ganhou as redes sociais e rapidamente surgiu o movimento “Free Kate” (Liberte Kate) que já ganhou três mil seguidores.

Para a família de Kaitlyn o fato do namoro ser entre pessoas do mesmo sexo é o principal motivo da denúncia. Os pais da menor acham que a estudante induziu a menor de 15 anos a ter uma relação homossexual.

A mãe de Kaitlyn disse que a família está vivendo um pesadelo e que a filha está em pânico. “Ela está com medo de morrer, não consegue dormir” contou Kelley Hung Smith ao canal 5 da rede ABC. E completou: “Isto é uma sentença de morte para ela, a vida dele pode acabar aos 18.”

fonte: Toda Forma de Amor

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dois anos após veto, MEC diz que ainda 'analisa' kit anti-homofobia

No Dia Internacional de Combate à Homofobia, o MEC diz que ainda analisa material que teve a distribuição proibida pela presidente Dilma há dois anos

Passados dois anos do veto da presidente Dilma Rousseff a uma série de conteúdos que seriam distribuídos nas escolas da rede pública como forma de combater a homofobia, o material desenvolvido por diversas entidades em parceria com o Ministério da Educação (MEC) ainda não teve um destino definido. Consultada pelo reportagem, a assessoria da pasta se limitou a dizer que a proposta não foi abandonada e que os conteúdos ainda estão em análise.

"O Ministério da Educação firmou uma parceria com o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia (Fenp) e dez universidades federais para debater e analisar todos os materiais educativos que abordem preconceitos, violência nas escolas e qualquer tipo de discriminação, entre eles, os materiais referentes ao Programa Escola sem Homofobia", disse o MEC em nota. No entanto, a pasta não detalhou quando essa análise será concluída.

A distribuição do kit, que estava prevista para ocorrer no segundo semestre de 2011 em 6 mil escolas de ensino médio, foi cancelada em maio daquele ano após pressão das bancadas religiosas, que convenceram a presidente de que o material fazia "propaganda de orientação sexual". Após a polêmica, o MEC disse que o veto de Dilma refere-se a três vídeos: Torpedo, Encontrando Bianca e Probabilidade. O restante do conteúdo, que inclui um caderno com orientações aos professores e boletins destinados aos estudantes, ainda espera por uma definição.

Para o coordenador do Grupo de Trabalho de Combate à Homofobia da Universidade de Brasília (UnB), José Zuchiwschi, a falta de uma definição sobre o kit é um "desrespeito à população". Zuchiwschi  trabalhou no Ministério da Educação durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e ajudou a articular a elaboração dos materiais. Faz três anos que ele deixou a pasta para assumir o cargo de professor de antropologia na UnB e não poupa críticas ao governo. 

​"Eu já tinha saído (do MEC) quando a presidente vetou o kit, mas foi uma decepção. Aquilo era um trabalho de anos, já havia sido licitado, pago e agora não saber o que fazer com esse material é no mínimo um desrespeito à população", afirma o professor, ao fazer referência ao montante de cerca de R$ 1,8 milhão gasto pelo ministério na produção do conteúdo.

Ele ainda diz que alguns setores conservadores tentaram vender a ideia de que o kit seria distribuído para crianças com 6 anos de idade - quando na verdade o material era volta exclusivamente para alunos do ensino médio. "Dói muito saber que as forças contrárias dos fundamentalistas, não só os evangélicos, mas a bancada católica, tenham boicotado o trabalho e passado para a população a visão de que estaríamos incentivando a homossexualidade". Segundo ele, o material foi produzido por um "grupo conceituado" de acadêmicos, com apoio de entidades como o Conselho Federal de Psicologia e a Unesco. "Nunca passou pela cabeça de ninguém entregar isso a crianças", completa.

Dia de luta contra a homofobia
O especialista ainda diz que neste 17 de maio, Dia Internacional de Combate a Homofobia, é preciso cobrar do governo a necessidade de adoção de uma política de caráter nacional para o combate à discriminação nas escolas, já que hoje apenas alguns projetos isolados são desenvolvidos por prefeituras e governos.

Ele lembra que diversos estudos apontam para a necessidade, urgente, de proteger a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Pesquisa feita em 2009 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), por exemplo, apontou que 87,3% dos entrevistados têm preconceito com relação à orientação sexual. O levantamento baseou-se em uma amostra nacional de 18,5 mil alunos, pais, professores e funcionários de escola.

"Quem paga a conta desse descaso é a minoria LGBT, que sofre sucessivas agressões na escola e na universidade", diz José Zuchiwsch ao ressaltar que a taxa de abandono do estudos é muito maior nesse grupo da população. "Muitos travestis caem na prostituição justamente por abandonarem os estudos depois de tanto preconceito", ressalta.

MEC diz que desenvolve ações para combater homofobia
Embora ainda não tenha uma definição para o projeto Escola sem Homofobia, o MEC diz que desenvolve algumas ações para combater a homofobia na escola. "O Ministério da Educação possui estratégias e ações voltadas para a educação com relação ao acesso, permanência e sucesso escolar dos estudantes em situação de possível exclusão ou violência. No caso do combate à homofobia, tais ações visam à promoção de uma educação não sexista e anti-discriminatória, que promova o respeito à diversidade sexual", informou a pasta.

Como exemplo dessas iniciativas, o ministério cita o apoio a cursos de pós-graduação em parceria com as universidades públicas para professores e gestores, a produção e divulgação de pesquisas, a inclusão da temática de forma adequada nos editais de avaliação e seleção de livros didáticos, a inclusão do debate nos currículos universitários, entre outras iniciativas sobre orientação sexual e da identidade de gênero.

Deputado critica materiais específicos para combater a homofobia
Um dos maiores opositores ao que classificou como "kit gay", o deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP), criticou em entrevista ao Terra sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo a distribuição de materiais com conteúdo "homossexual" nas escolas.

"Eles estão pregando na escola o combate à homofobia, já estão fazendo a partir da molecada com 6 anos de idade. Um dos itens ali: distribuição de livros às bibliotecas com a temática diversidade sexual para o público infantil. Ou seja, livros com gravuras de homens se beijando, né, ou em posições homoafetivas, para a molecada a partir dos 6 anos de idade, vai tá estimulando a molecada!", disse o parlamentar.

"A partir do momento que o moleque vê que tem dois meninos, dois homens, se abraçando, mantendo essa relação amorosa, ele passa a ser uma presa fácil para pedófilos. Se um homem quiser abraçar o moleque, ele vai achar que aquilo é normal", emendou Bolsonaro, que acredita que a temática da homofobia não é assunto para se discutir na escola. E ainda lembrou: "Essa briga minha aqui, não é contra os homossexuais, é contra o material escolar".

Entenda a polêmica sobre o kit anti-homofobia
O kit de combate à homofobia - que integra o projeto Escola sem Homofobia - foi desenvolvido por diversas entidades não governamentais, com a supervisão do Ministério da Educação, para ser distribuído a alunos do ensino médio de 6 mil escolas públicas previamente selecionadas. No entanto, após pressão das bancadas religiosas no Congresso Nacional, a presidente vetou o material em maio de 2011. Segundo Dilma, o kit era inadequado e fazia propaganda de orientações sexuais.

O kit é composto de um caderno com orientações sobre atividades que podem ser desenvolvidas pelos professores em sala de aula; de seis boletins destinados aos estudantes; de cartazes para divulgar o programa na comunidade escolar, de cartas endereçadas a professores, além de três vídeos para serem trabalhados em sala de aula. O convênio para a preparação do material teve um custo total estimado de R$ 1,8 milhão e incluía também pesquisas, seminários e atividades de capacitação para os educadores que fossem utilizá-los nas escolas.

Integram a equipe responsável pelo kit a ONG Pathfinder do Brasil, a Global Alliance for LGBT Education (Gale), a Comunicação em Sexualidade (Ecos), a Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva (Reprolatina) e a ABGLT. Entidades como a Unesco e o Conselho Federal de Psicologia defenderam o conteúdo do material.

fonte: Terra

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Mais de 80% dos LGBT europeus se sentem intimidados em centros de ensino

Um relatório apresentado nesta quinta-feira pela Agência Europeia de Direitos Fundamentais (FRA) aponta que mais de 80% dos estudantes e universitários homossexuais, transexuais ou bissexuais de União Europeia (UE) e Croácia já se sentiram intimidados ou ameaçados nas instituições de ensino que frequentam.

Esta é a maior pesquisa realizada sobre o grau de discriminação sofrido pela comunidade LGTB (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais) na UE.

'Descobrimos que mais de 80% dos entrevistados em todos os países afirmaram ter sido alvo de comentários negativos ou intimidações na área educativa', lamentou Dennis van der Veur, um dos porta-vozes da FRA, durante a apresentação de uma antecipação do relatório na sede desta agência, em Viena.

Segundo a FRA, 'os Estados-membros devem garantir que os alunos LGTB se sintam seguros nestes centros, por isso seria preciso iniciar campanhas de sensibilização, assim como políticas contra o assédio homofóbico'.

Entre os estudantes ouvidos na pesquisa, 66% confessaram que não revelam sua orientação sexual nos centros de ensino.

Os resultados da pesquisa, que consultou 93 mil pessoas entre abril e junho do ano passado, também revelaram que 26% dos entrevistados foram 'agredidos ou ameaçados com atos de violência nos últimos cinco anos'.

Por outro lado, 19% dos participantes admitiram já ter se sentido discriminados no ambiente de trabalho ou ao procurar emprego.

De todos os grupos que responderam a pesquisa, os da comunidade transexual são os que refletiram maior nível de marginalização e denunciaram ter sido alvo dos índices de violência mais elevados.

A FRA explicou que o objetivo de divulgar estes dados é 'ressaltar a necessidade de promover e proteger os direitos fundamentais das pessoas LGTB, de modo que estas também possam levar uma vida digna'.

fonte: G1

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mato Grosso: Universitário funda a primeira igreja para gays do Estado

Estudante de teologia e letras reúne grupo de homossexuais em Cuiabá. Ele disse que se sentia desamparado e discriminado nas outras igrejas.

Cesar LoyolaHá três meses, o estudante de teologia e letras, Cesar Loyola, de 23 anos, fundou a primeira Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) em Mato Grosso. Até agora ele atraiu 13 membros, todos homossexuais, para a instituição que prega parte do evangelho cristão, principalmente para o público LGBT. Ele contou que a ideia de abrir a igreja no estado surgiu porque se sentia sem amparo religioso e discriminado nas outras igrejas por ser homossexual. Na igreja, tudo é permitido, desde que não fira o próximo, conforme o 'pastor leigo'.

“Fui em várias igrejas de Cuiabáx e não me encontrava, não me sentia bem, me sentia discriminado mesmo. E eles têm aquele discurso de 'nós aceitamos o pecador, mas não pecado', mas isso é hipocrisia porque na verdade eles não amam nenhum dos dois. Querem que se encaixem nas 'caixinhas' deles e eu não me encaixava”, afirmou o pastor leigo, como é chamado, já que ainda não concluiu o curso de teologia mas já é lider da igreja.

Cesar Loyola contou ter participado dessa igreja por dois anos e a relação de amor ao próximo pregada o atraiu. Após se mudar para Cuiabá, conversou com o responsável pela Comunidade Metropolitana no Brasil e recebeu autorização para dar início ao processo de implantação da igreja na capital mato-grossense.

O universitário, que havia participado dessa mesma igreja no período em que morou em São Paulo, vinha realizando encontros desde o ano passado na tentativa de formar grupo, porém, tinha dificuldade de atrair adeptos, já que, na avaliação dele, há preconceito por parte dos próprios gays. "O preconceito se dá porque há anos existe esse discurso de que eles são condenados, que os gays vão para o inferno, que têm que mudar, têm que se curar, então eles criaram uma barreira", afirmou a reportagem.

Os cultos seguem as premissas cristãs e alguns trechos da bíblia. “Nós temos a bíblia como um livro de orientação mesmo. Não seguimos a bíblia integralmente, ao pé da letra, porque a gente entende que corremos uma série de riscos. Hoje, os gays são acusados de pertencer ao demônio e de pecadores por causa dessa interpretação literal da bíblia”, analisou o líder da igreja, ao enfatizar que a ICM se apresenta como uma orientação e não como um manual de regras, onde tudo é permitido, desde que não fira o próximo, como o previsto na bíblia.

pastor gay“A igreja não diz o que a pessoa vai fazer. Acreditamos que quem define o que pode ou não é a relação dela com Deus”, disse. Sobre a formação da família, o universitário disse que a escolha cabe ao fiel. Qualquer decisão sobre a escolha do parceiro, independentemente do sexo, é respeitada. “Se a pessoa quiser ficar sozinha, nós respeitamos, se ela quiser ter um parceiro seja gay ou heterossexual, nós respeitamos. Se ela é bissexual e tem dois parceiros, uma mulher e um homem, respeitamos também”, reafirmou.

Apesar de todos os frequentadores serem gays, a igreja é aberta a todos. “Entendemos que todos são filhos de Deus. Então, não importa a raça, o credo, não importa orientação sexual, a gente vai partir do princípio que todos são aceitos, todos são bem vindos", enfatizou o estudante.

Para ele, os homossexuais já nascem com essa orientação sexual e alega não acreditar que pessoas sejam curadas. "Como não acredito em cura, acho que essas pessoas que se dizem ex-homossexuais vivem em constante conflito e negação de si. É algo que é meu. Quando dizia que não era gay e não me aceitava, vivia oprimido. Não era oprimido pela sociedade, mas por mim mesmo”, relatou.

Loyola não é um pastor porque ainda não concluiu o curso de teologia. Ele pretende se tornar reverendo, atuar como um pastor da igreja, mas para isso é necessário que os membros o elejam e, em seguida, seja ordenado. Por enquanto, ele atua como liderança e é denominado 'pastor leigo'.

Um dos membros da igreja, Matthews Galvão disse que se sentiu acolhido na igreja. “Quando frequentava outras igrejas, não me sentia bem, me sentia oprimido. Há três meses frequento a metropolitana e lá descobri um lugar onde posso ser eu mesmo. Tenho liberdade para me expressar, dialogar com todos. Acho que a igreja é muito importante para a sociedade, principalmente para aqueles que necessitam desse amparo”, disse.

No Brasil, a comunidade metropolitana está presente em 12 estados, sendo esse grupo o primeiro do estado. A igreja foi fundada em 1968 nos Estados Unidos e atualmente está em mais de 30 países. Em Cuiabá, a implantação está em fase inicial. "O processo de implantação da igreja,  começa com um grupo e depois se torna missão, que aí já tem mais cara de igreja. E depois é considerado uma igreja mesmo”, explicou César.

Por enquanto, os cultos são realizados em um local cedido e fica na Avenida Cuiabá, no bairro Cohab Nova, na região central da capital. Os encontros acontecem aos sábados.

fonte: G1

terça-feira, 14 de maio de 2013

São Paulo: ‘Eu me sinto mais confortável de saia’, diz calouro da USP vítima de preconceito

Vitor PereiraEm 24 de abril, o calouro do curso de têxtil e moda da USP Vitor Pereira, 20, vestiu uma saia e foi à aula, no campus da zona leste de São Paulo. Ao vivo, recebeu alguns elogios e outros "olhares estranhos". Na internet, porém, foi alvo de críticas e preconceito, e recebeu ofensas anônimas no Facebook.

Ele então decidiu criar uma página na rede social --chamada "Homens de saia"-- para defender o uso da peça por ambos os gêneros. Agora, o movimento sai do espaço virtual para ganhar as universidades.

Eventos criados no Facebook em diferentes universidades dão apoio à causa de Vitor e incentivam a quebra dos padrões. Há protestos agendados em diversos campi da USP, como o do largo São Francisco (centro de São Paulo).

No evento "USP de saia!", marcado para esta quinta-feira (16) na Cidade Universitária (zona oeste), mais de 2.500 pessoas confirmaram presença.

"Cansei de me enquadrar em nomes, ideologias e coisas. Eu quero que as pessoas repensem o que a sociedade impõe a elas. Eu me sinto mais confortável usando saia do que um par de calças", desabafa o jovem.

Já a manifestação agendada em São Carlos foi divulgada, inclusive, no perfil de Laerte Coutinho, cartunista e ativista. "Eu fiquei muito feliz, não esperava nem um terço da repercussão", comemora Vitor.

USP DE SAIA!
O estudante de educação física Diego Santos, 26, é um dos responsáveis pela organização do "USP de saia!", junto a outros três jovens --que não se conhecem pessoalmente. "Apesar desse movimento ter surgido em um grupo LGBT da USP, ele vai além disso. É uma discussão de padrão de gênero. Por que homem não pode usar saia, sendo que isso é normal em outras culturas?", indaga.

Os organizadores pedem para que os estudantes saiam de casa usando a peça (no caso das mulheres, qualquer outro tipo de transgressão é válida, como gravatas e afins), para verificar a reação das pessoas na cidade. Na USP, pretendem fazer discussões sobre o tema.

Apesar do número de confirmados no evento ser satisfatório, o jovem Fernando Pereira, 17, calouro de engenharia e um dos organizadores do protesto, sabe que a realidade pode ser diferente. "A gente espera que vá bastante gente, mas muitos confirmados só colocam que vão para apoiar a causa." Mesmo assim, o saldo já é considerado positivo. "Em educação física, que é um curso considerado machista, as pessoas estão aderindo. O capitão do time de vôlei planeja um treino com saias", conta Diego.

serviço: USP DE SAIA!
quando? quinta (16), às 18h
onde? Cidade Universitária, praça do Relógio (centro do campus)

fonte: UOL

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Paraná: Transexual dirige escola após eleição democrática

Depois de chegar ao cargo em 2009, ela foi reeleita em 2011, com 98% dos votos da comunidade escolar. Ela conta que sofreu muito preconceito antes de ser aceita

Diretora Laysa Machado

"Me assumi e botei um vestido. Fui mandada embora de todos os lugares onde trabalhava. Perdi amigos e mudei de cidade de novo".

Quem olha a sorridente diretora da Escola Estadual Chico Mendes Laysa Machado, 41 anos, não consegue imaginar quantas vezes ela precisou recomeçar do zero. Diferentemente de outros educadores que se confrontam diariamente com os problemas estruturais da profissão, Laysa precisou buscar comida no lixo para sobreviver, mas seu maior desafio só foi superado aos 26 anos, quando assumiu sua transexualidade.

Laysa assumiu o cargo em 2009 e pode ser a única diretora transexual eleita democraticamente em uma escola pública brasileira. A instituição, situada em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, tem 1.800 alunos e recebe estudantes do ensino fundamental e médio. O caminho até lá foi uma tortuosa luta contra o preconceito, não dos alunos, mas dos pais e dos próprios colegas de profissão. Formada em História e pós-graduação em Educação Especial, em Gestão da Educação e em Teoria do Conhecimento Histórico, e já lecionava em diversas escolas particulares em Guarapuava antes de assumir a transexualidade, mas foi sumariamente demitida ao colocar seu primeiro vestido há quase 13 anos.

— Em 1999, eu era um personagem que criei e estava ascendendo, mas aquele não era eu. Então, me assumi e botei um vestido. Fui mandada embora de todos os lugares onde trabalhava. Perdi amigos e mudei de cidade de novo.

Natural de Entre Rios, na região centro-sul do Paraná, ela cresceu em Guarapuava, uma cidade próxima. Descendente de índios kaigang e quilombolas, morou com a família em uma localidade carente chamada Vila dos Brasileiros. Ela conta que perdeu a mãe quando tinha 14 anos e, depois disso, expulsa de casa pelo pai quando ele notou os seus traços femininos. Foi, então, acolhida por uma assistente social e um padre, o que lhe permitiu estudar.

Após a expulsão em Guarapuava, Laysa resolveu recomeçar a vida. Iniciou um tratamento psicológico e hormonal no Sistema Único de Saúde (SUS), etapa anterior à cirurgia de mudança de sexo, e fez concurso público para a rede estadual de ensino. Passou e assumiu a função já com a sua nova identidade. Desde 2004, está alocada na Escola Chico Mendes.

— Quando mudei para cá fui totalmente execrada. Não queriam um ‘traveco’ dando aula. Mas como eu estava assumindo o concurso aqui e não tinha nada que impedisse tiveram que me engolir. A situação só mudou com o meu trabalho — detalha.

Em 2009, veio o desafio da eleição para a direção. A escolha é feita em sufrágio universal, do qual participam alunos, pais, professores e servidores da escola. Naquela ocasião, a chapa de Laysa com outros dois professores só conseguiu vencer devido aos votos dos alunos e de seus pais. Dos 80 funcionários da escola, apenas 13 votaram nela.

— Foi difícil. De um lado, concorria com um professor pai de família, dois filhos, heterossexual, cristão. Mas ganhei pelos votos dos alunos e dos pais e, depois, fui reeleita em 2011, com 98% dos votos. Hoje é um clima maravilhoso. Nunca fui discriminada por aluno, sou muito querida por eles. O preconceito vem do adulto.

Segundo ela, desde que assumiu a direção da escola, faz um trabalho especial com os alunos para discutir questões relacionadas ao preconceito e às diversidades étnica, racial e de gênero. São realizadas palestras, apresentações de peças de teatro, que ela mesma escreve, e uma semana cultural em agosto, com trabalhos e debates. Além de professora de História, Laysa também é atriz há quase 20 anos.

Em 2007, Laysa realizou o sonho da cirurgia de troca de sexo em São Paulo. Na época, precisou vender todos os bens que possuia para pagar a operação que custou R$ 18 mil. Fez cinco cirurgias até chegar à transformação total:

— Um consultor do Departamento de Diversidade do MEC visitou a escola no ano passado e disse que eu era a única diretora transexual eleita — conta Laysa, orgulhosa, sem esconder a emoção. E confessa: — Tenho alunos que sinto que são gays ou transexuais e sei que aqui eles são totalmente acolhidos e se espelham em mim.

De acordo com o Ministério da Saúde, não há como assegurar se Laysa é a primeira diretora transexual eleita democraticamente, pois não há levantamos nacionais sobre educação que tragam esse tipo de informação.

fonte: O Globo

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Estados Unidos: Nadador olímpico se assume gay no jornal da faculdade

Amini FonuaUma semana depois do jogador de basquete Jason Collins revelar a orientação sexual diferente, o nadador olímpico Amini Fonua assumiu a mesma condição no jornal da universidade onde estuda, nos Estados Unidos.

Nascido na Nova Zelândia, Fonua representou a nação de Tonga, uma ilha do pacífico sul, durante os jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

O fato surpreendeu muita gente, já que a universidade A&M, do estado do Texas, onde o atleta estuda, é uma das menos simpatizantes a pessoas com orientação sexual diferente.

O nadador discorda. “Homofobia tem em toda universidade, não somente na A&M. Pode ser um pouco mais forte aqui, mas eu acho que as pessoas fazem sensacionalismo do que realmente é”, disse.

Aos 23 anos, o atleta disse que um Aggie, nome da sua equipe, não "mente, não engana ou rouba" referindo-se a sua decisão de assumir.

"E se você está vivendo no armário, você está vivendo uma mentira" afirmou. E, depois, numa postagem em seu Twitter completou: "Não deixe que nada fique no caminho de seus sonhos".

fonte: Toda Forma de Amor

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Bahia: Aluno da UFBA usa salto em formatura em protesto contra preconceito

Aluno de Artes e Gestão Cultural, Manasses Pessoas ousou no figurino. Jovem afirma que atitude é uma expressão política e teve apoio de família.

Manasses PessoaUm aluno da Universidade Federal da Bahia (UFBA) usou salto alto para compor a beca da sua colação de grau do curso de Bacharelado Interdisciplinar (BI) em Artes e Gestão Cultural. A cerimônia ocorreu no auditório da Reitoria, no bairro do Canela, em Salvador, na terça-feira (23). O formando Manasses Pessoa foi o orador da turma.

“É um protesto contra o preconceito a homossexuais e a falta de oportunidade que a maioria deles sofre na sociedade. Gays e travestis, muitas vezes, são marginalizados por não ter o apoio da família, de amigos e da própria sociedade”, disse. Segundo Manasses, ele escolheu o salto alto como “símbolo de um ato político”.

O objetivo foi chamar atenção para a reflexão sobre o preconceito, principalmente o que ele diz sofrer por ser afeminado. Na plateia, estavam presentes duas irmãs, a sobrinha do estudante e o companheiro, relacionamento de oito anos. O estudante disse que todos ficaram surpresos e emocionados com a atitude, e que ele tem apoio total da família e dos amigos sobre a sua orientação sexual.

A assessoria da UFBA disse a atitude é inédita e que não há nenhuma restrição. A universidade baiana informou que o estudante estava de beca e cumpriu todos os procedimentos obrigatórios no ritual de colocação.

"Alguns espectadores ficaram sem entender, outros acharam que foi um espetáculo artístico, já que a formatura era de Artes, mas o fato é que minha atitude foi uma expressão política, um ato político para dizer que luto por uma minoria que sofre diariamente com a opressão, o desrespeito e a descriminação", disse o jovem em um comunicado postado em rede social.

fonte: G1

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Estados Unidos: Aluno de 10 anos escreve redação a favor do casamento gay

redaçãoA redação sobre casamento gay escrita por um aluno americano, do 4º ano do ensino fundamental, está fazendo o maior sucesso na internet após a sua própria professora compartilhar o texto com outros usuários na rede social "Reddit".

Isso porque, a redação do menino, no qual ele mesmo escolheu o tema, chamou a atenção pelo fato de uma criança de apenas 10 anos defender com ótimos argumentos o direito ao casamento gay e dar uma lição de moral em muita "gente grande".

No texto, ele diz para aqueles que ainda se assustam com o assunto, que superem isso e fiquem felizes pelo casal.

“Você nao pode impedir dois gays de se casarem porque eles são crescidos e não importa se isso te assusta, simplesmente supere. Você deveria ficar feliz por eles porque é um momento importante nas suas vidas. Quando eu fui ao casamento dos meus avós, foi o momento mais feliz.”, escreveu no texto.

No final da redação, ele ainda aconselha as pessoas a não julgarem o próximo. “Você nao deve julgar as vidas das outras pessoas porque se você fosse gay, nao iria querer pessoas falando sobre você”, completa.

fonte: Virgula

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