segunda-feira, 25 de julho de 2011

São Paulo: Feira de negócios gays dá certo e garante segunda edição

Primeira Expo Business LGBT rola bem organizada e com fôlego para mais um ano

O Brasil realizou no último sábado, 23, em São Paulo, sua primeira Expo Business LGBT, que teve como objetivo reunir o mercado para apresentar as oportunidades de se investir no público da diversidade sexual. Quem foi com olhos amigos perdoando qualquer deslize da organização por ser a primeira edição ficou surpreso ao ver que o evento contou com uma estrutura bem organizada, bonita e, principalmente, com stands bem legais demonstrando que as empresas estão mesmo a fim de investir no consumidor LGBT.

Durante todo o sábado a Fecomércio recebeu exposição de produtos de 22 empresas ou órgãos públicos que iam de sabonetes naturais, passavam pelo turismo e chegavam até a noite gay e a pegação virtual. “Com certeza realizaremos a segunda edição no ano que vem, o resultado foi muito positivo neste ano”, diz Luiz Carlos Rowan, organizador geral da Expo, completando ainda que em 2012 há a possibilidade da feira ser realizada na cidade do Rio de Janeiro.

A militância também teve espaço com iniciativas como os stands do Casarão Brasil Associação GLS e da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual da Prefeitura de São Paulo (Cads), que levou para o evento a exposição de camisetas “Homofobia Fora de Moda”. “A exposição vai ser levada ainda para vários outros lugares, nas subprefeituras. É uma forma de levara a discussão da diversidade sexual para outros lugares”, pontua Eduardo Cardoso, do núcleo de Comunicação da Cads.

Chamou a atenção dos participantes o bom investimento que empresas como a aérea Delta, a de ambientação de eventos Perverts e do clube Bubu Lounge fizeram, os três stands mais bem decorados, observados e visitados do evento. Com direito a Lady Gaga cover e veado coberto de espelho, o espaço da Perverts virou cenário de fotos de todo mundo, ao mesmo tempo em que o responsável pela empresa, Gilberto Mendes, trocava cartões com empresários interessados em suas ideias de decoração. “Fiz vários contatos legais”, comemora Gilberto.

Discussão
A programação da Expo Business contou também com palestras sobre o mercado GLS com palestrantes de vários países. A abertura foi feita pelos argentinos Gustavo Noguera e Pablo de Luca, da Câmara de Comércio LGBT da Argentina. Eles foram seguidos pela palestra de André Fischer, diretor do MixBrasil e da Revista Junior, sobre o mercado GLS e seus números e especificidades.

A Dell Computadores também participou da feira, mas não apenas com stand, mas contando ainda como é seu cotidiano de tolerância com a palestra “Diversidade na Dell Computadores”. Uma das explanações mais esperadas foi a do norte-americano Tim Roth, da empresa de consultoria Community Marketing.

Com o título “O Mercado Gay Não Existe”, foi uma das palestras mais cheias e levantou questões como a inclusão dos segmentos trans e bi nas propagandas de empresas e deu boas perspectivas futuras. “As empresas hétero ainda têm medo de colocar o gay nas suas páginas, mas ao mesmo tempo têm percebido que elas podem fazer isso sem que seu público hétero fuja”, ponderou Tim.

A Expo Business, que teve ocupado todos os stands que ofereceu (com direito a lista de espera), foi encerrada com um vídeo dando uma geral do que é o cruzeiro gay Freedom on Board e sorteando uma cabine para sua próxima edição, em fevereiro de 2012.

fonte: MixBrasil

Britney Spears anuncia dois shows no Brasil em novembro

britney-spears-300x300Depois de Kesha, Rihanna, Rick Martin, Katy Perry e Erasure anunciarem shows no Brasil no segundo semestre, agora é a princesinha do pop Britney Spears quem confirmou que também vai vir dar pinta em terras brasileiras. A loira traz sua “Femme Fatale Tour” para o País em novembro.

Britney vai fazer apenas dois shows no Brasil. O primeiro deles rola no Rio de Janeiro, na Apoteose, no dia 15 de novembro. Da Cidade Maravilhosa, a cantora desembarca para sua última apresentação brasileira, que rola no dia 18 de novembro, na Arena do Anhembi, em São Paulo.

Preços de ingressos, pontos de venda e a data que eles começam a ser vendidos ainda não foram divulgados, mas é bom ficar ligado porque ultimamente os ingressos para shows gringos andam evaporando em menos de três dias.

fonte: MixBrasil

Pernambuco: Estudantes organizam beijaço contra homofobia no Recife

Ato será no domingo, 31 de julho

Os estudantes do Recife foram convocados para um beijaço contra homofobia programado para o domingo, 31 de julho, a partir das 16 horas, na Praça do Arsenal, bairro do Recife Antigo.

A convocação é da Assembleia Nacional dos Estudantes - a ANEL - seção Pernambuco. A manifestação é contra "o preconceito e a discriminação e a favor da liberdade de expressão sexual" explica a nota da entidade.

A mobilização está sendo feita principalmente pelas redes sociais. Casais héteros e gays vão participar do ato. "Não dá mais para adiar, necessitamos da imediata aprovação de uma lei específica de combate à homofobia" ressalta o comunicado da ANEL.

serviço: BEIJAÇO CONTRA HOMOFOBIA
onde? Praça do Arsenal, Recife Antigo, Pernambuco
quando? domingo, dia 31/07/2011, a partir das 16h
(Próximo à Feirinha do Recife Antigo e à Torre Malacof)

fonte: Toda Forma de Amor

Minas Gerais: Parada Gay leva uma multidão para o centro de Belo Horizonte

A parada aconteceu no último domingo (24). Os manifestantes pediram a aprovação do projeto de lei que torna crime a homofobia no país.

Vinte mil pessoas tomaram o centro de Belo Horizonte no domingo (24) na Parada Gay. Os manifestantes pediram a aprovação do projeto de lei que torna crime a homofobia no país.

fonte: Globo News

domingo, 24 de julho de 2011

Globo e SBT cortaram afeto entre gays para evitar “exaltação”

Depois de ter tramas elogiadas por criticar a homofobia e tratar os relacionamentos homossexuais com naturalidade, as novelas da TV aberta recuaram na abordagem de personagens gays.

"Amor e Revolução" (SBT) mostrou um beijo lésbico entre Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre). Mas a mesma cena entre Jeová (Lui Mendes) e Chico (Carlos Artur Thiré) foi vetada.

Em nota, a emissora explica ter tomado a decisão após uma pesquisa mostrar insatisfação "em relação às cenas de violência demasiada e beijo gay explícito, que incomodaram a maioria das famílias brasileiras".

A Globo não citou pesquisas para esfriar a história de "Insensato Coração", cortando cenas gravadas, como noticiado pela coluna "Outro Canal" nesta semana. "Nossa tramas registram a afetividade e o preconceito, mas não cabe exaltação", informou em nota.

cenas censuradas insensato coração

As decisões das emissoras causaram surpresa e decepção entre defensores dos direitos dos homossexuais, especialmente no caso de "Insensato Coração", que foi considerada um marco pela denúncia da homofobia.

O próprio Ministério da Justiça, órgão responsável pela classificação indicativa, decidiu mantê-la como "não recomendada para menores de 12 anos" (ao invés de 14 anos).

A decisão, publicada no "Diário Oficial" nesta semana, cita que a novela tem "conteúdos de natureza educativa e relevância social, com reflexos positivos e respeito à diversidade".

Beijo Proibido
A cautela na exibição de afeto entre homossexuais é antiga na Globo. Em 20 de dezembro de 1998, o cinegrafista Hugo Sá Peixoto e seu chefe, Amaury Trolize, foram demitidos após a exibição de um beijo entre homens em imagens que entraram ao vivo no "Fantástico".

A emissora explicou, em nota, que as demissões ocorreram na época porque eles desrespeitaram "uma recomendação". Ambos, porém, dizem que "foi um acidente".

" O proibido de ontem não é mais o de hoje", ressente-se Peixoto, que trabalhou por 26 anos na Globo.

Quase 13 anos após sua saída, a mesma emissora exibiu, no "Jornal Nacional", em horário nobre, um selinho entre dois homens em reportagem sobre a última Parada Gay de São Paulo.

Especialistas ouvidos pela Folha destacaram a importância de dar visibilidade a cenas de afeto entre gays.

Deixando o politicamente correto de lado, no entanto, o que parece consensual adquire contornos controversos quando o assunto é a veiculação de imagens de beijos e carinhos entre dois homens ou duas mulheres.

Para o ator Daniel Barcelos, que beijou Raí Alves na minissérie "Mãe de Santo" (1990) da extinta TV Manchete, a polêmica é um retrocesso. "Não entendo por que dar esse passo atrás."

fonte: Folha.com

Estados Unidos: Nova York tem festa e protesto no 1º dia de casamentos gays

Cidade recebeu recorde de pedidos no primeiro dia em vigor de lei estadual. Nova York é o sexto e mais populoso estado a legalizar união nos EUA.

casamento gay ny 1Nova York começou a celebrar na manhã deste domingo (24) os primeiros casamentos entre gays da sua história, marcado pelo recorde de bodas realizadas na cidade, no primeiro dia em vigor da lei estadual que reconhece o casamento de casais do mesmo sexo.

"Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um.., Aceito!", gritaram entusiasmados os casais quando foram abertas as cercas de metal colocadas na porta de um cartório de registro civil, por volta das 8h30, horário local, no número 141 da rua Worth, no sul de Manhattan.

Por causa do excesso de pedidos, a prefeitura anunciou na terça um sorteio para designar o matrimônio de 764 casais, um recorde para a cidade.

As ativistas dos direitos dos homossexuais Kitty Lambert e Cheryle Rudd foram as primeiras a se casar legalmente, em cerimônia realizada logo após 0h na madrugada deste domingo (24).

primeiro casal gay nyNa fila era possível ver muitas sombrinhas coloridas para suportar o sol e o calor que afetam a cidade nos últimos dias. Muitos casais vestiam roupas elegantes enquanto outros optaram por roupas mais chamativas.

Do outro lado da rua, na esquina do cartório de Manhatam, uma dezena de pessoas contrárias ao casamento entre homossexuais vaiavam.

Recorde
O estado de Nova York tornou-se, no dia 24 de junho passado, o sexto estado americano, e de longe o maior, a autorizar o casamento entre gays. Nova York, a cidade mais populosa dos Estados Unidos, conta com mais de 8 milhões de moradores.

Ao todo, a prefeitura de Nova York - a cidade mais povoada do país, com 8 milhões de habitantes - esperava neste domingo um recorde de 823 casamentos, na maioria entre homossexuais. Até hoje, o maior número de casamentos em um só dia era de 621, no dia 14 de fevereiro de 2003.

O prefeito Michael Bloomberg e a presidente do Conselho Municipal, Christine Quinn - uma homossexual militante-, tinham anunciado no começo de julho que a cidade faria um esforço excepcional e abriria os serviços municipais neste domingo para enfrentar o fluxo esperado.

casamento gay ny 2Os casamentos foram realizados nos cinco distritos da cidade: Manhattan, Bronx, Staten Island, Queens e Brooklyn.

O próprio Bloomberg tinha previsto oficiar no fim do dia o casamento de dois de seus colaboradores homossexuais em Gracie Mansion, a residência oficial dos prefeitos de Nova York, uma mansão do século XVIII localizada num parque no Upper East Side.

fonte: G1

Estados Unidos: Lei federal deporta gays casados com americanos

Ato em Defesa do Casamento, de 1996, determina: união só vale entre homem e mulher. Direitos garantidos pelo estado são negados a casais homossexuais

henry-harry-casamento-gay-euaFoi amor à primeira vista. Eles trocaram alianças de compromisso na semana em que se conheceram e, quatro anos depois, formalizaram a união ao sol do verão de Connecticut nos Estados Unidos. A magia de recém-casado, no entanto, foi quebrada por uma arrebatadora ordem de deportação. Joshua Vandiver, cidadão americano, teve negado o direito de proporcionar a seu par um visto permanente nos Estados Unidos. A razão? Ele escolheu casar com Henry Velandia, venezuelano e homem.

O casamento gay é permitido no Distrito da Columbia e em seis estados americanos - Iowa, Connecticut, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e, a partir deste domingo, Nova York. Apesar disso, uma lei federal de 1996 tira dos casais gays o direito de serem reconhecidos como cônjuges. É o Ato em Defesa do Casamento. Seu principal argumento: “a palavra ‘casamento’ significa somente a união legal entre homem e mulher”. Nada além.

Ou seja, por mais que a lei de imigração americana conceda visto ao cônjuge estrangeiro de um americano, a regra não vale para os gays, porque, para o estado americano a união deles simplesmente não existe. “Se fossemos heterossexuais, Henry já seria um residente permanente. Por sermos gays, ele está prestes a ser deportado”, disse Joshua ao site de VEJA.

O advogado Lavi Soloway, de Nova York, trabalha há dezoito anos com casos com o de Josh e Henry e conta já ter presenciado dezenas de deportações. “Acontece o tempo todo”, diz Soloway. Há, nos Estados Unidos, mais de 36.000 casais binacionais gays, segundo a organização Immigration Equality. O Ato em Defesa do Casamento está sendo questionado na Justiça e no Congresso, mas enquanto nada é decidido, formou-se um limbo onde caem os imigrantes gays.

Esperança
Ao saberem da ordem de deportação, Josh e Henry recorreram à Justiça e lançaram na internet a campanha “Save Our Marriage”, ou “Salve Nosso Casamento”. Obtiveram mais de dez mil apoios já na primeira semana. A pressão dos movimentos pelos direitos LGBT foi tanta que Henry teve, na semana passada, a ordem de deportação arquivada. “Henry não tem visto algum. Ele não tem nada além da promessa de que não será deportado. Não tem um status legal. Está no meio de uma briga para ter um visto”, explica Soloway.

De qualquer forma, Henry é o primeiro caso nos Estados Unidos de um estrangeiro gay que tem o processo de deportação dado como encerrado na imigração. Até então, as pessoas eram obrigadas a comparecer perante o júri e a decisão poderia ser revista a qualquer tempo. Soloway explica que a decisão só foi possível graças a sensibilidade do juiz, que entendeu que uma deportação arruinaria o casamento de Josh e Henry.

Mesmo assim, o advogado percebe uma mudança na visão da Justiça e das instituições sobre o casamento gay. “Os juízes entendem que, se no futuro a lei federal se tornar igualitária, estaremos deportando hoje uma pessoa que poderá ser autorizada a voltar daqui a dez anos e estaremos destruindo um casamento.”
A esperança baseia-se na orientação do presidente Barack Obama, que classificou oficialmente o Ato em Defesa do Casamento como inconstitucional. “Só teríamos plena segurança de permanência dos cônjuges estrangeiros de americanos gays no país se Obama desse ordem ao setor de imigração para não deportá-los mais”, diz Soloway.

E por que Obama não faz isso? “Ele não quer tirar a responsabilidade do Congresso de decidir sobre as leis de imigração, inclusive sobre esse ponto controverso. Ele quer que o Congresso sinta a pressão da população por esse direito dos gays”, explica o advogado. “Igualdade significa igualdade. Você não pode ter meia igualdade. Você precisa ser completamente igualitário, senão você não será nada igualitário."

fonte: Veja

São Paulo e Rio de Janeiro reagem ao aumento de casos de agressões contra gays

por Luís Bulcão e Vagner Magalhães

O aumento do número de casos de agressões a gays nos últimos meses forçaram os dois principais Estados do País a reagir. No primeiro semestre deste ano, a Secretaria Estadual de Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo já abriu 40 processos por crime de homofobia. O número é superior ao de todo o ano passado, em que o total de casos encaminhados alcançou 33. No Rio de Janeiro, a prefeitura chegou a criar esse ano a Coordenadoria Especial de Diversidade Cultural (Ceds), que concentra as denúncias de ataques contra homossexuais na cidade. O órgão carioca ganha espaço a cada dia, com vaga privilegiada na novela global Insensato Coração e por campanhas como Carnaval Sem Preconceito.

A divulgação de crimes violentos, como o ocorrido nesta semana, em que um pai teve parte de uma orelha decepada por estar abraçado com o filho - ambos teriam sido confundidos com homossexuais - ajuda a tirar esses crimes na invisibilidade. Segundo Heloísa Gama, coordenadora de Diversidade Sexual da secretaria paulista, a violência contra homossexuais não é novidade no Brasil. "Os crimes acontecem há muito tempo, só que eles eram invisíveis. A novidade agora é toda essa repercussão. Não se pautava esse assunto como a mídia faz hoje. É um tipo de crime revoltante, mas aqui em São Paulo temos um plano bem definido para enfrentá-lo", diz.

A principal arma paulista é uma lei que prevê punição administrativa para casos de discriminação racial e étnica. Promulgada há um ano, já contabiliza 68 processos, sendo mais da metade (36) na capital paulista.

Pela lei, a pessoa que se sentir agredida não precisa ir a uma delegacia de polícia. Ela poderá se dirigir a órgãos estaduais como Fundação Procon, Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc), Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), além de 47 prefeituras. De acordo com a lei, a pena para quem comete o crime de discriminação vai de uma simples advertência a multa, cujo valor pode chegar a R$ 17 mil.

Heloísa lembra que uma resposta contundente aos crimes de homofobia é uma legislação forte. "Não adianta colocar só a polícia na repressão a esse tipo de crime. Precisamos de uma legislação mais forte. As denúncias mostram que as pessoas estão cansadas de ficar caladas", afirma.

Políticos preconceituosos incentivam violência
Para o coordenador da Ceds, Carlos Tufvesson, a incidência de crimes não somente tem aumentado, como tem crescido o requinte de crueldade praticado pelos agressores. Para ele, a atitude pública de políticos, como Jair Bolsonaro (PP-RJ), que expressam preconceito tem contribuído para o quadro atual. "Milito há 15 anos e estou impressionado. Se fizermos uma comparação do aumento dos discursos homofóbicos por parte de parlamentares, veremos um gráfico que não é mera coincidência", afirma.

Segundo ele, é preciso impor limites a pronunciamentos que expressem preconceito. "Enquanto a liberdade de expressão for usada para permitir esse tipo de discurso, essas gangues neonazistas, como as que marcharam em São Paulo em apoio a um deputado do Rio de Janeiro, se sentirão legitimadas em suas ações", afirma.

Tufvesson acredita que a mudança na cultura da homofobia só se dará a médio e longo prazo. "Só a conscientização da sociedade nos permitirá uma pressão no Legislativo para uma punição desses atos que envergonham a todos nós como seres humanos", afirma.

Ministra quer leis que coíbam agressões
A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que o país precisa se livrar da cultura homofóbica e criar leis e programas que coíbam as ações violentas motivadas pela sexualidade. "São crimes de ódio que são motivados pelo simples fato de as pessoas serem homossexuais", condena. Segundo a ministra, o Disque-100, que recebia denúncias de crianças e adolescentes vítimas de violência, também está funcionando de forma efetiva, desde o início do ano, como canal de denúncias para crimes de motivações homofóbicas. "Nesses seis meses de atuação, nós já temos como terceiro principal motivador os casos de violência contra homossexuais", afirma. Maria do Rosário também cobra ação dos Estados para combater as práticas contra a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). "Estamos preparando um encontro, que deve ocorrer em duas semanas no máximo, entre todas as secretarias estaduais de segurança do país", anunciou. Ela cobra também do Congresso Nacional uma legislação que enfrente a homofobia como um crime presente no Brasil. "Queremos que todos estejam integrados em uma jornada que livre o Brasil dessa marca dos crimes de ódio", afirma.

fonte: Terra

sábado, 23 de julho de 2011

Colômbia: Igrejas pedem que Corte Constitucional não reconheça casamento gay

Os representantes de cinco igrejas pediram nesta sexta-feira à Corte Constitucional da Colômbia que não reconheça o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao tempo que condenaram quaisquer maus-tratos sociais contra os homossexuais.

O pedido foi feito pelos lideres das igrejas católica, ortodoxa grega, anglicana, metodista e evangélica, que assinaram uma declaração após uma reunião na sede da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC).

No documento, lido pelo secretário da CEC, monsenhor Juan Vicente Córdoba, as igrejas convidam 'os magistrados da Corte Constitucional a decidirem sobre esta importante matéria tendo presentes as profundas implicações sociais de sua decisão, o bem das famílias colombianas e os valores éticos da Pátria'.

O texto indica ainda que 'não pode constituir-se um verdadeiro casamento ou uma verdadeira família um vínculo de dois homens ou de duas mulheres e muito menos se pode atribuir a essa união o direito de adotar menores de idade'.

Ainda assim, os religiosos explicam que suas igrejas respeitam e acolhem os homossexuais e condenam 'com veemência' maus-tratos sociais ou de violência contra eles.

A Corte Constitucional da Colômbia deve pronunciar-se nos próximos dias sobre a natureza do casamento. Atualmente, é reconhecido aos casais homossexuais os mesmos direitos dos heterossexuais, mas não o casamento civil e a adoção conjunta de menores de idade.

Através de processos e recurso de amparo, a comunidade gay conseguiu que a Corte ampliasse seus direitos para que alcançasse igualdade com os casais heterossexuais.

fonte: G1

Minas Gerais: Estado tenta entrar no roteiro de turismo gay com pacote família

Estado tenta virar destino de casais gays: "É um público extremamente sofisticado e com alto poder de compra", diz governo

ouro pretoMinas Gerais se prepara para entrar na rota de férias de lésbicas, gays, bissexuais e travestis. A iniciativa parte do próprio governo mineiro que, no começo de julho, apresentou formalmente um roteiro voltado para este público durante o Salão de Turismo realizado em São Paulo. 

“Existe a intenção do governo, e isso vem sendo trabalhado, de fomentar o turismo nessa área. É um público que deixa um benefício econômico e que merece ser bem atendido”, diz a secretária-adjunta de Turismo do Estado de Minas Gerais, Silvana Nascimento. No Brasil, estima-se que gays, lésbicas, bissexuais e transexuais movimentem, por ano, cerca de R$ 32 bilhões.

O roteiro de cinco dias é voltado para casais, tendo preço de R$ 1.190 por pessoa. No primeiro dia, é oferecido um jantar de confraternização em Belo Horizonte e, no segundo, o casal parte rumo a Ouro Preto e Mariana, tradicionais cidades históricas. No terceiro dia, o roteiro inclui Congonhas, São João del Rey e Tiradentes. O quarto dia é destinado apenas à cidade de Tiradentes, famosa pela gastronomia. No quinto dia é hora do retorno. Este é um dos diferenciais que Minas pretende oferecer. Se no Rio e em São Paulo as pessoas vão para encontrar o amor, em Minas elas vão para curtir a vida em família.

Casais
De acordo com dados do último censo, Minas é o terceiro Estado com maior número de casais homossexuais. São 4.098, enquanto há 10.170 no Rio de Janeiro e 16.872 em São Paulo. O Estado também fica em terceiro lugar no ranking de eventos voltados para este público. De acordo com informações divulgadas pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, em 2011 Minas promove 18 eventos do gênero, contra 20 em São Paulo e 30 no Rio de Janeiro. Neste domingo (24), por exemplo, acontece a 14ª Parada do Orgulho LGBT em Belo Horizonte.

Os números chamaram a atenção do governo mineiro, que realiza um levantamento de cidades potenciais para receber as pessoas. A secretária-adjunta conta que o público homossexual se encaixa nos roteiros oferecidos em Minas, com enfoque para a cultura e a gastronomia.

“Estamos fazendo um levantamento dos lugares visitados por este público para capacitar hotéis, restaurantes. Hoje só temos uma empresa de turismo trabalhando com eles e elas em Minas. Não adianta apresentarmos novos roteiros sem termos pessoas capacitadas. É preciso qualidade e hospitalidade no atendimento”, diz Silvana, emendando que o público LGBT “é um público extremamente sofisticado e com alto poder de compra”. Os potenciais destinos, conta ela, incluem roteiros românticos, de gastronomia e roteiros culturais. No ano que vem, o governo decidirá se lança um programa voltado especialmente para o turismo LGBT ou se apenas entrará com apoio na divulgação e no treinamento de pessoas, por meio de parcerias.

Silvana diz ainda acreditar que o turismo LGBT aumente com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de reconhecer a união homoafetiva - mais pessoas podem se sentir encorajadas a viajar em família, com a decisão da Justiça. Questionada sobre eventuais reações em Minas, ela diz: “Essa questão está superada. Estamos trabalhando as diversidades e isso é um ponto extremamente importante para o turismo.”

Resistências
Não é o que pensa o presidente do PSDB de Belo Horizonte, deputado estadual João Leite. Correligionário do governador Antonio Anastasia, Leite demonstrou surpresa ao ser informado pela reportagem sobre os projetos do governo em incentivar o turismo LGBT. “Isso não me foi informado e também a nenhum líder na Assembleia. Quero saber do que se trata para depois comentar, mas minha posição é clara sobre este assunto”, disse ao iG.

Evangélico, o deputado tucano já se manifestou em plenário contra os homossexuais, em discurso polêmico no dia 30 de março. "Quero criar meu filho para se casar com uma mulher; quero criar minhas filhas para se casarem com um homem. É meu direito, direito fundamental, está na Declaração Universal dos Direitos Humanos, está na nossa Constituição. Também é nosso direito ter a nossa fé, que tem um livro, a Bíblia, que combate o homossexualismo. Rasgamos a Bíblia? Rasgamos a nossa fé?", disse na ocasião.

O governador Anastasia foi procurado para comentar o assunto, por meio de sua assessoria, mas não se pronunciou.

Cidade histórica faz sua 4ª parada gay
Mesmo sem apoio público, as tradicionais cidades históricas já estão no roteiro. Em São João del Rey, por exemplo, o tradicionalismo religioso se mistura à celebração da diversidade. Coordenador do Movimento LGBT da cidade, Carlos Bem conta que, em outubro, acontecerá a 4ª Parada Gay do município. “Temos um estudo que mostra o potencial de impacto econômico da parada na cidade. Chega a R$ 1 milhão. Minas Gerais ainda está omissa em relação ao turismo LGBT. Estamos atrasados. Há um certo conservadorismo da gestão pública”, lamenta ele.

O presidente da Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS), Almir Nascimento, comemora o avanço de Minas ao se qualificar para entrar no segmento. “São Paulo já se prepara há quatro anos. Temos treinamento no Rio de Janeiro, Florianópolis, Recife e Salvador. As cidades históricas e Juiz de Fora recebem muitos turistas GLS. Partimos do pressuposto de que, em qualquer cidade, temos 10% de gays e lesbicas. Esse é o mercado a ser explorado”, afirma Almir Nascimento.

miss Brasil GayJuiz de Fora tem tradição
Há mais de 30 anos a cidade de Juiz de Fora, a 255 quilômetros de Belo Horizonte, promove o concurso Miss Brasil Gay, neste ano em 35ª edição. A população de pouco mais de 500 mil habitantes se prepara para no próximo mês receber 12 mil turistas interessados no concurso. “Se cada turista tiver gasto médio de R$ 1.000 entre transporte, hospedagem, alimentação, entretenimento, compras, podemos facilmente chegar à receita direta de 12 milhões de reais”, analisa Marcelo do Carmo, consultor de administração e marketing do Miss Brasil Gay 2011. O concurso, completa ele, tem custo estimado de R$ 200 mil e neste ano acontece em 20 de agosto.

O consultor do Miss Brasil Gay acredita que muito ainda precisa ser feito pelo turismo LGBT em Minas. “Ainda há muito o que ser trabalhado. Os destinos precisam se conscientizar. Como é um Estado tradicionalmente religioso e que baseia seus preceitos na tradicional 'família mineira', penso que grandes ações de sensibilização, conscientização, marketing e promoção ainda deverão ser implantadas”.

Juiz de Fora foi o cenário em que o capitão do Exército Darci Teixeira Dutra viveu por 35 anos com o companheiro José Américo Grippi, hoje com 66 anos. Em fevereiro deste ano, Grippi conseguiu decisão inédita no judiciário, o direito a uma pensão paga pelo Exército. Seu companheiro morreu em 1999. “Não pedi pelo dinheiro. O dinheiro é bom, mas não tinha intenção de prejudicar ninguém. Só queria o que é meu por direito. As pessoas precisam ter coragem de lutar pelos seus direitos”, disse ao iG.

Grippi se encaixa no perfil de quem frequenta o Miss Brasil Gay. Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) indica que 30% do público no concurso corresponde a pessoas locais com mais de 60 anos - um indício de que as resistências aos poucos começam a cair.

fonte: Último Segundo

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