segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mato Grosso do Sul: Casal gay diz que foi vítima de violência em boate

Denúncia feita ao Portal Correio do Estado revela mais um caso de homofobia em Campo Grande. No último fim de semana um casal de gays, a quem vamos chamar nesta reportagem apenas pelos nomes fictícios de Claudio e Cesar, foram expulso de uma casa noturna por um segurança que teria reprovado a atitude de ambos por estarem de mãos dadas em um dos camarotes.

A denúncia foi feita por um amigo do casal que revelou toda sua indignação através de um e-mail:

“Eu não posso ficar quieto e deixar que isso continue a acontecer. O segurança da boate chegou em um dos rapazes e o pegou pelo braço arrastando-o para o banheiro. Isso é um absurdo, expulsarem o casal de lá só porque são homossexuais. Onde esta escrito que homossexuais não podem andar de mãos [dadas] dentro da boate? Onde esta o direito de igualdade?”, indagou o amigo, que acompanhou todo o caso.

Cláudio e Cesar optaram por não registrar um Boletim de Ocorrência junto à Polícia para que não fossem alvo de uma exposição ainda maior. Pelo telefone, Cláudio falou um pouco sobre a dificuldade de lidar com a situação. “Já é difícil para gente ter que assumir esse lado e de repente, passar pelo constrangimento de ser expulso de um local por uma demonstração de carinho”, reclamou.

Cláudio tem 24 anos, César, apenas 18. O namorado conta que depois do fato ocorrido, o mais jovem deles passou um fim de semana em um conflito pessoal muito grande. “Ele se trancou no quarto e não queria sair mais. Não atendia ninguém, nem mesmo ao telefone. Isso causou um baque muito grande pra vida dele”, afirmou chorando.

Narrando o acontecido, Cláudio conta que o segurança não chegou a dizer muita coisa. “Ele apenas arrastou meu namorado pelo braço até o banheiro e eu fui até lá para saber o que estava acontecendo. Neste momento ele bateu meu braço na parede e mandou que a gente fosse embora”, afirmou. Claudio conta que tentou argumentar e ouviu do segurança: “Aqui não é lugar para isso”. Indginado com a situação, Cláudio questionou o que seria o “isso” e o segurança apenas respondeu: “Você sabe bem do que eu estou falando”.

Eram 3h da madrugada quando o casal optou por ir embora. “Eu queria ficar, mas ele [César] estava com medo e achou melhor que fossemos realmente embora para não causar um constrangimento ainda maior”, relatou. “Por mim, faria uma denúncia, mas ele [o namorado] tem problemas com a família que não o aceita e por isso resolvemos deixar para lá”, afirmou.

O local
A reportagem do Portal entrou em contato com os proprietários do estabelecimento que informaram não saber sobre o ocorrido. A segurança da Casa é terceirizada, como na maioria dos estabelecimentos, e não chegou até a direção qualquer registro de expulsão. “O fato mencionado não procede já que não tivemos essa informação”, afirmou o responsável que terá sua identidade mantida em sigilo neste relato.

O empresário diz que o público homossexual é sempre muito “bem-vindo” e que para haver uma expulsão teria que ter ocorrido um caso muito grave, totalmente fora dos limites permitidos pelo bom senso, o que não quer dizer “andar de mãos dadas”.

A equipe de reportagem tentou contato com a empresa de segurança mas foi alertada que só poderia falar após o meio-dia.

fonte: Correio do Estado

Rio Grande do Sul: 14ª Parada Livre de Porto Alegre acontece domingo

Será realizado no próximo domingo, 28 de novembro, a 14ª Parada Livre de Porto Alegre, no Parque Farroupilha.

parada livre porto alegreEste ano o tema escolhido é “A sexualidade tem todas as cores”. O material gráfico é inspirado na Drag Queen Perla Ostra, clássica drag queen, madrinha da Parada, que prepara sua caracterização todos os anos exclusivamente para o evento. O cabelo estilo “black power” montado com pessoas em posições eróticas mostra o quanto a sexualidade é diversa e faz parte do dia-a-dia das pessoas. “Queremos mostrar que o sexo é algo natural e que devemos pensar nele sem preconceitos”, afirma o artista visual Sandro Ka, responsável pela obra.

Com o tema Os shows artísticos iniciam às 14 horas, no palco central, que será montado próximo ao espelho d’água. Também está programado para o início da tarde o lançamento da campanha Travesti e Respeito, pelo Ministério da Saúde.

A apresentação do evento será feita pelo trio Dandara Rangel, Glória Crystal e Laurita Leão. Outras artistas transformistas, grupos de dança, gogoboys, performers e cantoras relacionadas à Cena Cultural LGBT gaúcha também farão parte do espetáculo.

O tradicional percurso com trios elétricos iniciará às 17 horas do dia 28 e compreenderá as avenidas Setembrina, (que será bloqueada pela EPTC para o evento neste dia) Oswaldo Aranha, José Bonifácio, João Pessoa e Engenheiro Luiz Englert, fazendo, assim, o contorno da Redenção. Depois de completado o trajeto, as apresentações no palco principal continuarão até as 22 horas.

A presidente da Igualdade – Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, instituição que organiza o evento, Marcelly Malta, salienta a importância da ação para a luta contra a homofobia: “A Parada deve servir tanto como manifestação política, para dar visibilidade ao público LGBT e mostrar para a sociedade que nós existimos e estamos a postos para lutar pelos nossos direitos, quanto como uma festividade onde a reunião das pessoas traz um sentimento de companheirismo ao grupo”.

O evento conta com coordenação da Igualdade – Associação de Travestis e Transexuais de Porto Alegre em parceria com o Nuances  - Grupo pela Livre Expressão Sexual; SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade; Regional Sul da LBL – Liga Brasileira de Lésbicas e o SAJU - Serviço de Assistência Jurídica Gratuita da UFRGS.

fonte: Somos

Modelo transexual brasileira vai desfilar no Rio de Janeiro e em São Paulo

Modelo transexual Lea T virá ao Brasil em 2011

Lea TA modelo transexual Lea T, que ganhou fama ao estrelar várias fotos para a grife Givenchy, deve voltar ao Brasil para dois desfiles: São Paulo Fashion Week e Fashion Rio.

Lea foi convidada pelos organizadores do evento e, de acordo com a coluna de Hermes Galvão, no jornal Diário de São Paulo, aceitou. Ela deve desembarcar no Brasil em janeiro para cumprir a agenda de desfiles.

Fenômeno no mundo da moda, Lea também foi convidada para sambar no carnaval do Rio de Janeiro, mas ainda não confirmou presença. Em recente entrevista, a modelo declarou estar triste com as notas publicadas pela imprensa brasileira de que teria problemas com o seu pai. “Nós nos amamos.”

Vale lembrar que o Fashion Rio de 2009 finalizou com a participação de uma travesti. Patrícia Araújo ocupou o lugar que já foi de Gisele Bündchen e Raica.

fonte: MixBrasil

Senador Valdir Raupp defende aprovação do PLC da homofobia

Em sessão especial, senador Valdir Raupp diz que é preciso aprovar PLC da homofobia

valdir-rauppEm sessão no Senado Federal na última sexta-feira, 19, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) defendeu a aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/06, que criminaliza a homofobia. O parlamentar disse ainda que não se pode apenas punir quem discrimina, é preciso educar.

Na sessão especial em homenagens a vítimas de discriminação, Raupp defendeu que “precisamos avançar e aprovar esse projeto, aperfeiçoando-o, se necessário”. Ele disse ainda que é preciso não apenas punir atitudes discriminatórias, mas também ensinar as crianças a respeitar quem é diferente da maioria.

Ele defendeu ainda a Educação como um caminho para diminuir cada vez mais a intolerância. “Não podemos aceitar a discriminação e o preconceito, que deve ser combatido nos tribunais e nas escolas de todo o País”.

fonte: MixBrasil

Votação na ONU passa a “permitir” assassinatos de LGBTs

onuOs homossexuais e os direitos humanos de forma geral tiveram uma grande derrota na Organização das Nações Unidas (ONU).

Por 79 votos a favor e 70 contra, a Assembléia Geral da entidade aprovou aretirada de LGBTs da lista de segmentos protegidos pela sua ação.

Isso significa que, agora um país não poderá mais ser constrangido ou penalizado pela ONU por matar homossexuais.

Os votos favoráveis vieram em massa do continente africano e de nações árabes.

fonte: Cena G

Senado discutirá homofobia e direitos dos homossexuais

Passeatas no Rio e em São Paulo lembram assassinatos e agressões a gays e protestam contra preconceito

Passeata-gay-size-598O poder legislativo abrirá espaço, na próxima semana, para a discussão sobre preconceito e direitos dos homossexuais. O Senado Federal tratará, na quarta-feira, de casos de assassinatos de gays. Na audiência pública, estará presente a mãe do estudante baleado por um militar do Exército, no Arpoador, após ter participado da Parada Orgulho LGBT, no domingo 14 de novembro. Na quinta-feira, o debate acontecerá na Assembleia Legislativa do Rio. Um dos temas será o projeto de lei 122/2006, que propõe a criminalização da homofobia.

Neste domingo, o episódio do estudante homossexual atingido na bexiga por uma arma de fogo disparada por um soldado do Forte de Copacabana completou uma semana. Para lembrar o caso, manifestantes fizeram um protesto na orla de Ipanema. Um grupo de aproximadamente 40 pessoas caminhou das imediações da rua Farme de Amoedo até o parque Garota de Ipanema, no Arpoador, zona Sul do Rio de Janeiro, onde houve o crime. Depois seguiram para o Forte.

Na dispersão, o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc disse que conversará na segunda-feira com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Eles falarão sobre a possibilidade de se realizar um encontro entre militares do Exército, homossexuais e representantes do governo do estado para discutir cidadania e direitos humanos. A mãe do jovem baleado estava presente, agradeceu o apoio e defendeu “que os gays tenham liberdade de ser quem são”.

De acordo com o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos do Estado do Rio, Cláudio Nascimento, a caminhada foi “uma resposta simbólica e objetiva mostrando que a sociedade não aceita mais esse tipo de violência”. Durante o ato, os manifestantes gritavam: “eu amo homem, amo mulher, tenho direito de amar quem eu quiser” e “alô sargento, mais respeito, eu não sou alvo para levar tiro no peito”.

Apesar da pouca quantidade de integrantes, o evento chamou a atenção dos banhistas. Houve quem xingasse os homossexuais, mas a maior parte dos que aproveitavam o domingo na orla apoiou a ação.  “A nossa ideia hoje foi lembrar o crime e louvar todos os que se empenharam para que ele fosse logo resolvido”, afirma o presidente do Grupo Arco-íris, Julio Moreira. Outros representantes de grupos LGBT estiveram presentes, inclusive uma organização de Rio das Ostras, onde já houve quatro paradas gays.

Mães que têm filhos homossexuais também compareceram. Claudia Percu, diretora comercial de uma empresa, tem uma filha lésbica e, desde então, resolveu militar pela diversidade sexual. “Há 20 dias, minha filha foi convidada a se retirar de um restaurante porque estava de mãos dadas com a namorada. A agressividade é grande, não querem aceitar o diferente. Por causa da violência, hoje, nossos filhos saem de casa e não sabemos se ele irá voltar.”

O clima de solidariedade fez homossexuais lembrarem também dos quatro jovens agredidos na Avenida Paulista, no último fim de semana, por motivação homofóbica. Neste domingo, também houve manifestação em São Paulo, onde cerca de 100 pessoas ligadas ao movimento LGBT voltaram ao local da violência para protestar.

fonte: Veja.com

domingo, 21 de novembro de 2010

Distrito Federal: Rapaz pode ter sido vítima de ataque homofóbico

"Se ela não quer ficar com você, eu quero". A frase que o estudante Pedro, de 20 anos, afirma ter dito para um jovem que insistia em "ficar" com a sua amiga pode ter provocado um ataque supostamente homofóbico no estacionamento da lanchonete McDonald's na Asa Norte, em Brasília, na madrugada de sábado.

Em reação, o jovem e dois amigos teriam chutado diversas vezes a porta do automóvel onde Pedro e amiga estavam e onde tomavam um lanche. "Não fui agredido porque eles não conseguiram me tirar do carro", afirma Pedro. "Mas o carro ficou avariado na porta. Fizemos a perícia."

Pedro contou que ele e a amiga foram à delegacia registrar ocorrência. Uma testemunha anotou a placa do carro onde estavam os agressores. Mas até agora o estudante afirma não ter tido notícias sobre se os autores da agressão foram localizados.

O estudante disse que registrou o ocorrido por causa dos danos ao automóvel. Mas afirmou que, mais tarde, percebeu que poderia se tratar de um caso de homofobia. Se for necessário, ele disse que vai refazer o boletim de ocorrência para registrar o incidente como um episódio de homofobia.

fonte: UOL

Clima eleitoral pesou para recentes casos de homofobia, dizem líderes do movimento gay

Jovem baleado durante marcha. Grupo agredido com lâmpadas em plena luz do dia. Texto em site de universidade que minimiza o preconceito contra homossexuais. Perfil no Twitter que, da noite para o dia, atrai mais de 15 mil "advogados da homofobia". Para líderes do movimento gay ouvidos pelo UOL Notícias, esses acontecimentos em menos de um mês refletem um debate conservador durante as eleições presidenciais deste ano.

No segundo turno, os então candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) travaram uma dura batalha pelo apoio de religiosos, supostamente por parte deles ter dado quase 20 milhões de votos à evangélica e ambientalista Marina Silva (PV) no primeiro turno. Religiosos cristãos conquistaram, então, um importante pedaço da agenda dos presidenciáveis, ávidos por parecerem confiáveis a eles.

Isso, dizem líderes do movimento de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros), deu impulso a pastores, padres e bispos que defendem abertamente a prática da homofobia e condenam a homossexualidade. A partir daí, afirmam, outras pessoas se sentiram confortáveis para manifestar preconceitos, como os que geraram os incidentes dos últimos dias.

“Desconectar essa violência recente do clima eleitoral é não enxergar o óbvio”, afirma o deputado eleito Jean Wyllys (PSOL-RJ), assumidamente homossexual. “A situação é complexa, os dois lados erraram. Mas foi a campanha de Serra que tomou a dianteira, porque leu equivocadamente o apoio a Marina. Quando um candidato importante usa na TV pastores que defendem a homofobia, a tensão se reforça.”

Ex-católico, Wyllys afirma que sempre houve homofobia no Brasil, mas avalia que o debate presidencial abriu espaço, principalmente na internet, para manifestações preconceituosas e que contribuem para ações violentas. “Fiz toda minha campanha em rede sociais e ameaças houve do começo ao fim. No segundo turno, mesmo quando já tinha vencido, os ataques ficaram mais agressivos. Existe outra razão? Não.”

Para Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), a importância que os então presidenciáveis deram a temas religiosos “incentivou homofóbicos a saírem do armário”. Ele diz que a repercussão dos casos das últimas semanas levou a entidade a considerar ações judiciais para evitar campanhas de homofobia no país.

Liberdades
“Não foi só isso, somos perseguidos há séculos. Mas as eleições deram holofotes a quem diz que homofobia é questão de liberdade de expressão. Não é. O que eles fazem é incentivar o ódio”, afirma Reis. “Temos que mediar esse debate, ir para o campo da racionalidade. A política teria esse papel, ainda mais nas eleições. Mas nem Dilma nem Serra falaram contra isso como deviam. Foi como se nós não existíssemos.”

Presidente do GGB (Grupo Gay da Bahia), um dos mais atuantes no país, Marcelo Cerqueira afirma que não há um movimento articulado contra os homossexuais no país, mas diz se preocupar com a adesão de jovens a mensagens preconceituosas nas últimas semanas. “Existe uma herança cultural e religiosa que sempre nos considerou um problema. Mas o clima acirrado da campanha realmente não ajudou”, afirma.

Ele também acredita que as reações violentas das últimas semanas tenham ligação com o clima de liberdade para os homossexuais no Brasil, que, por sua vez, gera uma “reação conservadora, sem entidades, mas de pessoa para pessoa”. “E isso ganha destaque maior quando um candidato a presidente conhecido como o Serra coloca na TV para pedir votos um homem conhecido por defender a homofobia”, diz.

Esse homem, citado por todas as lideranças gays, é o pastor Silas Malafaia, da igreja neopentecostal Assembleia de Deus - Vitória em Cristo. O religioso começou a campanha presidencial pregando voto em Marina, mas na reta final do primeiro turno aderiu ao tucano. Participou de programas do ex-governador paulista na televisão e seus vídeos com críticas a homossexuais ganharam mais visibilidade na internet.

Episódios homofóbicos
No domingo (14) de manhã, um grupo formado por quatro menores e um jovem de 19 anos, todos de classe alta, agrediu com socos, chutes, pauladas e lâmpadas fluorescentes três pedestres que caminhavam na avenida Paulista. Agressão foi motivada pelo fato de as vítimas serem ou estarem acompanhadas de homossexuais.

Também no domingo, um estudante de 19 anos foi agredido verbalmente e baleado por um militar do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Os sargentos Ivanildo Ulisses Gervásio e Jonathan Fernandes foram presos pelo Exército. A agressão ocorreu logo após o fim da Parada Gay carioca.

Na quinta-feira (18), foi ativado no Twitter o perfil @HomofobiaSIM, que defende abertamente a discriminação e a violência a homossexuais e mulheres. Em apenas um dia, o perfil, que diz existir "pela moral e família", angariou mais de 15 mil seguidores.

Outro episódio que indignou associações LGBT foi a recente publicação, na página daU niversidade Presbiteriana Mackenzie–uma das mais tradicionais de São Paulo–, de um texto assinado pelo chanceler Augustus Nicodemus Gomes Lopes. No manifesto, a instituição diz que é contra a aprovação da lei que pune a homofobia "por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia".

Segundo os últimos dados do Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais (LGBT), publicado pelo GGB e divulgado em março deste ano, foram registradas 387 mortes em todo o território brasileiro em 2009 e 2008 –média aproximada de um crime a cada dois dias –, um crescimento de aproximadamente 54% em relação ao biênio 2006-2007.

A cantora e ativista Vange Leonel, que participou de um ato em São Paulo na última sexta-feira (19), afirmou que as “agressões a homossexuais sempre aconteceram” e o que mudou é que há mais “visibilidade” aos casos de homofobia. “À medida que nos expomos mais nas ruas, a reação a isso aumenta também.”

fonte: UOL

São Paulo: Manifestação contra homofobia reúne 200 pessoas na Av Paulista

Estimativa é da PM, que acompanhou o protesto deste domingo (21). Agressão a rapazes na Paulista no dia 14 motivou a manifestação.

paulista-2Integrantes de vários movimentos LGBT e simpatizantes, que promoveram uma passeata de repúdio contra a homofobia na tarde deste domingo (21) na Avenida Paulista, afirmaram que a manifestação, motivada pela agressão contra três rapazes, é pertinente ainda que duas das vítimas não tenham se declarado homossexuais à reportagem do G1. A agressão ocorreu no dia 14 deste mês. Uma semana depois, cerca de 200 pessoas participaram da passeata, de acordo com estimativas de Policiais Militares que acompanharam o protesto.

“Há quem seja vítima de homofobia mesmo não sendo homossexual. O protesto é de repúdio às agressões e à homofobia latente na nossa sociedade”, afirmou, ao G1, Trina Bacci, da Associação Brasileira de Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

"Atualmente, os ataques estão sendo contra o diferente porque eles se sentem autorizados a bater em quem eles acreditam que sejam homossexuais", disse Marcelo Gil, da ABCDS, organização engajada na luta pela diversidade.

paulista-3Nesta semana uma petição foi encaminhada a autoridades pedindo para que elas não fiquem indiferentes a mais esse caso de agressão gratuita. “Independentemente deles serem ou não homossexuais, o que motivou a agressão foi acharem que se tratavam de homossexuais, como disseram as testemunhas”, disse o advogado Eduardo Piza Gomes de Melo, do Instituto Edson Neris.

Os manifestantes se reuniram no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e caminharam por duas faixas da Avenida Paulista até o local onde ocorreram as agressões, nas proximidades da Estação Brigadeiro.

fonte: G1

Agressões a gays partem, muitas vezes, da família

Renata vive com um rim a menos. Andréia, com tranquilizantes na mesma caixinha onde guarda os remédios que a preparam para a cirurgia de mudança de sexo. Victor tem a certeza de que o silêncio de quem não denuncia faz a violência aumentar. Os três homossexuais são personagens de uma mesma faceta da intolerância: foram vítimas de agressões motivadas por homofobia.

“Fiquei três meses muito mal, porque queria entender o motivo da violência e não achava explicação”

Quatro anos após receber um chute tão forte que causou uma hemorragia interna e o obrigou a extrair um rim, o travesti Renata Perón diz que sente pena dos jovens que o agrediram na Praça da República, Centro de São Paulo, onde homossexuais se reúnem. E afirma que restam só as sequelas físicas da perda de um órgão. As psicológicas, segundo ele, foram superadas:

- Não tenho ódio deles. Fiquei três meses muito mal, porque queria entender o motivo da violência e não achava explicação. Simplesmente por puro prazer, fizeram essa maldade - diz Renata, de 33 anos, registrada como Sérgio Carlos Pessoa.

Renata passou por uma cirurgia e precisou fechar o salão de beleza temporariamente. Hoje, faz shows em que canta e dança. Mas, sem um rim, não consegue ficar em pé por muitas horas e diz que seu corpo levou um ano para se acostumar à nova condição. Agora, aguarda que a Justiça julgue o pedido de indenização que fez ao Estado, alegando que o local onde foi agredido é conhecido ponto de ataques homofóbicos. Ganhou em primeira instância, o estado recorreu.

Pastor, professor e gay, Victor Orellana, de 39 anos, também foi agredido num ponto de encontro de homossexuais na Zona Norte de São Paulo. Estava com um amigo quando um homem de cerca de 35 anos perguntou se eram gays e começou a socá-lo. Victor procurou policiais que não deram importância ao caso e liberaram o agressor.

No caminho para casa, Victor foi atacado de novo pelo mesmo homem, dessa vez com uma pedra.

- O silêncio da sociedade faz com que mais agressões aconteçam, que o preconceito aumente - disse Victor.

Muitas vezes, os delitos ligados à homofobia são cometidos pela própria família da vítima. Foi o caso do travesti Andréia Ferraresi, 67 anos. O cabeleireiro diz ter sofrido duas agressões, a mais recente, da cunhada, em maio; outra, há cerca de dez anos, por PMs, quando esperava atendimento num hospital da corporação no Espírito Santo:

- Primeiro, ela (minha cunhada) me agrediu com uma jarra de plástico e cortou meus lábios. Depois, chegou bêbada e me bateu muito. Meu irmão já me agrediu com um cinto no rosto - disse Andréia, que denunciou a cunhada e o irmão à polícia e se prepara para uma cirurgia de mudança de sexo. - Meu irmão diz que quero ser uma coisa que não sou. Eles não me respeitam. Dizem: "Respeitar você? Por quê? Você não é gente".

fonte: Extra Online

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